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01/10/2015 23:46 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Enrolado com contas secretas na Suíça, Cunha coleciona denúncias

EVARISTO SA via Getty Images
Chamber of Deputies President Eduardo Cunha of the Brazilian Democratic Movement Party (PMDB) speaks during a hearing with the Parliamentary Commission of Inquiry that investigates accusations of corruption in Petrobras, in Brasilia on March 12, 2015. Dozens of politicians from five parties, including from that of Brazilian President Dilma Rousseff, have been implicated in a corrupt network which laundered $4 billion of Brazil's state oil giant money. AFP PHOTO/EVARISTO SA (Photo credit should read EVARISTO SA/AFP/Getty Images)

Citado por cinco delatores da Operação Lava Jato, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), é alvo de pelo menos três escândalos com investigações em curso.

Por muito menos, o ex-presidente da Câmara dos Deputados Severino Cavalcanti renunciou em 2005. Na época, ele foi acusado de receber propina mensal, conhecida como "mensalinho", de R$ 10 mil do dono de um restaurante da Casa.

Flerte com o mensalão

Já Cunha é, segundo a Folha de S.Paulo, um dos 37 investigados pela Comissão de Valores Mobiliários por irregularidades no fundo de pensão dos funcionários da Companhia de Água e Esgoto do Rio de Janeiro.

O peemedebista teria se beneficiado de um esquema de desvio de dinheiro e embolsado cerca de R$ 900 mil entre 2003 e 2006.

Em 2005, o jornal mostrou que, segundo um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o caso teria ligação com o mensalão. De acordo com Cunha, se trata de uma "coisa muito antiga".

Companhia de habitação

No mês passado, a Justiça do Rio de Janeiro pediu ao STF que desarquivou um inquérito, no qual Cunha é acusado de participar de um suposto esquema de irregularidade na Companhia Estadual de Habilitação do Rio de Janeiro (Cehab).

O processo foi enviado ao STF com um pedido para que se analise se há indícios para que Cunha seja investigado.

Navio-sonda

Também no STF, Cunha é investigado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A suspeita é que, em um contrato de afretamento de navios-sonda, de US$ 1,2 bilhões, ele tenha recebido US$ 5 milhões do ex-executivo da Toyo Setal, Júlio Camargo. De acordo com o MPF, Cunha teria intermediado o contrato com a Samsung e a Mitsui.

Além de Júlio Camargo, o doleiro Alberto Youssef também fez menção a este caso que envolve o peemedebista em sua delação. Segundo Youssef, para pressionar por essa propina, Cunha apresentou requerimentos, por meio da então deputada Solange Almeida (PMDB-RJ), na Comissão de Fiscalização e Controle solicitando informações sobre os contratos do Grupo Mitsui com a Petrobras.

Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, suposto operador do PMDB, também relatou o pagamentos a Cunha na transação dos navios-sonda.

Indicação

Outro delator que citou Cunha foi o ex-gerente da estatal Eduardo Musa. De acordo com ele, o presidente da Casa que tem dito que o PMDB não deve indicar nome para nenhum cargo no governo, era a pessoa que tinha a palavra final nas nomeações da diretoria de Internacional da Petrobras.

Dinheiro na Suíça - parte 1

Nesta semana, o lobista João Augusto Rezende Henriques, também apontado como operador do PMDB na Petrobras, disse ter feito pagamentos de propina a Cunha em uma conta na Suíça. Segundo ele, o depósito da propina foi de US$ 7,5 milhões.

Dinheiro na Suíça - parte 2

Na quarta-feira (30), a Procuradoria-Geral da República confirmou que Cunha e familiares têm contas na Suíça. Foram localizadas pelo menos quatro contas, com valores de aproximadamente US$ 5 milhões.

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