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28/09/2015 12:33 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Dilma diz que o Brasil está de 'braços abertos' para receber os refugiados em Assembleia Geral da ONU

REUTERS/Mike Segar

Como tradição desde 1995, o primeiro chefe de Estado a falar na Assembleia Geral da ONU, que começou nesta segunda-feira (28), foi a presidente do Brasil, Dilma Rousseff. O primeiro assunto abordado no discurso dela foi a crise dos refugiados, considerada a maior deste século.

Dilma cobrou mais ações da ONU e dos países membros para colocar fim aos conflitos regionais e ajudar pessoas que pedem abrigo para um novo recomeço. Dilma lembrou de casos, como o do menino sírio que foi encontrado morto na praia da Turquia no início deste mês e dos 71 refugiados mortos asfixiados em um caminhão na Áustria.

"Em um mundo em que circulam livremente mercadorias, capitais, informações e ideias, é um absurdo impedir o livre trânsito de pessoas", disse.

A presidente afirmou que a multiplicação dos conflitos regionais e a expansão do terrorismo explicam a atual crise dos refugiados e que a ONU tem um grande desafio de conquistar a paz em países como a Síria. "Precisamos de uma ONU capaz de promover a paz."

Em seu discurso, Dilma ainda disse que o Brasil recebe homens e mulheres de todo o mundo, como sírios, haitianos, europeus, entre outros, e que o País é multiétnico, que convive com as diferenças e sabe a importância delas para se tornar uma nação mais forte, rica e diversa.

"Estamos abertos e de braços abertos para receber os refugiados."

Nesse momento do discurso, Dilma foi aplaudida pelos chefes de Estado participantes da assembleia da ONU, em Nova York.

A presidente também citou os murais Guerra e Paz, do artista brasileiro Cândido Portinari, como uma obra que denuncia a violência e a miséria, com uma mensagem atual sobre que todos os anônimos que buscam proteção. A obra foi doada pelo Brasil à ONU e atualmente está na sede da organização, em Nova York.

"Ao olharmos esses murais, sejamos capazes de escutar as vozes dos povos", disse.

Sustentabilidade e crise econômica

Em seu discurso, a presidente citou o compromisso do Brasil de reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 43% até 2030. O objetivo inclui esforços realizados desde 2005 de combate ao desmatamento ilegal.

A crise econômica brasileira também foi tema de Dilma.

Ela disse que o esforço para a ampliação do crédito, do consumo das famílias, da geração de emprego e da renda chegou "ao limite" e que, por questões fiscais, pressões regressivas, desvalorização do câmbio e pelos quadros externos, o Brasil passa por uma "crise conjuntural".

"Hoje a economia brasileira é mais sólida e resiliente", discursou. "Temos condições de melhorar. Estamos num momento de transição."

Ela reiterou as metas de ajustes fiscais e os incentivos aos investimentos para garantir mais produtividade e geração de oportunidades.

Dilma ainda garantiu o funcionamento dos órgãos do Estado encarregados de investigar desvios e corrupção. "O governo não vai tolerar a corrupção. Queremos um País em que as leis sejam o limite."

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