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25/09/2015 10:37 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

'Recusa em mudar' fez Alessandro Molon deixar o PT e se filiar à Rede Sustentabilidade, diz deputado do RJ

Reprodução/Facebook

O deputado federal Alessandro Molon (RJ) pegou o mundo político de surpresa na noite desta quinta-feira (24), ao anunciar a sua saída do PT após 18 anos de filiação, para entrar para a Rede Sustentabilidade, legenda de outra ex-petista – Marina Silva –, que recebeu sinal verde para ser registrada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta semana.

A reportagem do Brasil Post não conseguiu falar com Molon, que preferiu usar as redes sociais para prestar os seus esclarecimentos sobre a decisão de deixar o PT. Descrevendo o dia da definição pela saída como “um dos mais difíceis da vida”, o deputado disse que buscou por anos uma mudança do partido, mas sem sucesso.

“No V Congresso do PT, realizado em junho passado, fiz, ao lado de mais 34 deputados federais da bancada, minha última tentativa. Propusemos uma série de mudanças ao PT. Nenhuma foi aceita”, escreveu Molon. A perspectiva de que a direção nacional do partido não mudará certas condutas amadureceu a ideia do parlamentar em seguir para a Rede.

“As bandeiras que sempre defendi – a luta pelo fortalecimento da democracia, pela justiça social e pelo desenvolvimento sustentável – são as mesmas que continuarei carregando”, completou, sem deixar de agradecer aos seus eleitores. Para estes e para a militância petista, Molon também pediu “compreensão e respeito” à sua decisão de deixar o PT.

Caros amigos e eleitores,Hoje foi, sem dúvida alguma, um dos dias mais difíceis da minha vida. Depois de 18 anos...

Posted by Alessandro Molon on Quinta, 24 de setembro de 2015


Em julho, em entrevista ao Brasil Post, Molon afirmou que a maioria dos parlamentares do PT querem mudar o partido, querem que a legenda reconheça os erros e trace um novo projeto para o País. Segundo ele, o partido adquiriu "comportamentos inadequados por meio de alguns de seus membros” e é preciso que se combata isso.

A saída de Molon – deputado do PT mais votado no Rio – é emblemática pela sua posição proeminente na base governista (era um dos vice-líderes na Câmara), mas não é a primeira desde que o partido chegou ao Palácio do Planalto. A origem do PSol está ligada justamente à expulsão de parlamentares que discordavam da posição assumida pelo partido, cada vez mais afastado de suas origens ao longo dos anos.

“Acho que é provável que muita gente saia do PT para buscar legendas mais confortáveis eleitoralmente, e eu espero que muita gente saia do PT para construir uma alternativa de esquerda coerente”, disse ao Brasil Post a ex-presidenciável Luciana Genro, em agosto. “Agora estamos vendo são os estertores desse desmanche do PT original, que ainda tinha vinculações com a luta do povo”, emendou.

Outros partidos, como o PSTU e a própria Rede Sustentabilidade, também nasceram de cisões do PT original, fundado em 1980. A expectativa é que, como vem acontecendo pelos Estados, mais deserções do PT ocorram - no Senado, Paulo Paim (RS) segue como o mais cotado a deixar a legenda. “(O PT) se tornou um partido ‘viciado no Lula’. Costumava ser um partido muito democrático, mas não o é mais”, avaliou outro ex-presidenciável, Eduardo Jorge, hoje no PV.

Por enquanto, a liderança do PT ainda não se pronunciou sobre a saída de Molon do partido.

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