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25/09/2015 19:23 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Afinal, como a alta dólar afeta SUA VIDA? (VÍDEO)

O dólar ultrapassou a barreira dos R$ 4 e chegou a atingir R$ 4,24 na última quinta-feira, renovando a cotação máxima diante do Real desde sua criação, em 1994. Para ter ideia, só nesta semana, a moeda americana já acumula uma alta de 50% no ano.

Mas, afinal, o que isso impacta na nossa vida? O dólar alto, ainda mais com o câmbio muito volátil, é um perigo não só para quem planeja viajar para o exterior, mas para todo os brasileiros.

O câmbio nas alturas pressiona a inflação, uma vez que os preços dos importados ou dos produtos que utilizam materiais comprados lá fora estão mais altos. É o caso dos perfumes, azeites e vinhos, que são produtos importados, e do pão e massas, que levam como ingrediente o trigo, que também é comprado no exterior.

Além destes, os preços do que são produzidos no Brasil também aumentam, uma vez que produtores preferem exportar a vender no mercado interno -- o que diminui a oferta. Sem oferta e com a demanda mantida, os preços também tendem a subir. Esse é o caso da carne bovina e de alguns produtos agrícolas.

Em agosto, a inflação foi de 0,22% e, nos 12 últimos meses, acumula uma taxa próxima de 10%.

Apesar de fechar esta sexta-feira (25) cotada a R$ 3,9757, uma queda de -0,39%, a moeda norte-americana ainda está supervalorizada diante do Real. Segundo o Economista-chefe da FN Capital, Edgar de Sá, isso acontece por causa das incertezas políticas e econômicas no País.

Segundo ele, com tantas turbulências no governo e indicadores econômicos decepcionantes, além da retirada do selo de bom pagador pela agência Standard & Poor's (S&P), que rebaixou o rating do Brasil de BBB- para BB+, os investidores têm receio de investir no País e preferem algo mais seguro, como o dólar. Assim, a moeda ganha força diante do Real.

Edgar lembra que alguns acontecimentos no exterior também ajudam a valorização do dólar, como a expectativa do Fed (banco central americano) de aumentar a taxa de juros dos EUA, que hoje estão próximas de zero, e a desaceleração da economia da China.

A probabilidade de novos rebaixamentos do rating brasileiro pelas agências de classificação de risco Moody's pode aumentar ainda mais esta "fuga" de investidores, lembrou o professor da IBE-FGV e doutor em Economia, Paulo Ferreira Barbosa.

Segundo Barbosa, o reflexo do câmbio deve aparecer nos próximos meses nos produtos e serviços que consumimos, quando as empresas tiverem de renovar seus estoques. "Aumentam os preços, o empresário repassa esses preços, o consumo diminui e, sem lucro, o empresário terá de ajustar a demanda com a oferta", explica.

Se o brasileiro consome menos, a produção cai e o desemprego aumenta.

"O pequeno empresário está contratando menos, deixa de investir ou está endividado em dólares. Ele está vendo o lucro diminuir e terá de ajustar sua produção para sua empresa continuar saudável", conta o Economista-chefe da FN Capital. "É um problema em cadeia."

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