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24/09/2015 16:55 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Guevedoces: Rara condição genética faz homens nascerem sem pênis

Reprodução/BBC

Ser um homem sem um pênis parece estranho para você? É assim que os "Guevedoces" vivem até mais ou menos os 12 anos de idade. Guevedoce quer dizer literalmente "pênis aos 12", e é uma rara condição genética, encontrada principalmente na República Dominicana.

Os meninos que nasceram como "meninas" foram estudados pela primeira vez nos anos 70, pela médica norte-americana Julianne Imperato-McGinley. Ela achou curiosa a história que circulava, dizendo que na República Dominicana as garotas estavam ganhando pênis. Foi então que ela descobriu o que era o grande mistério.

No começo da vida uterina, o feto não tem sexo. Mesmo que possua os cromossomos XX (mulheres) e XY (homens), até as primeiras semanas nenhum órgão sexual aparece.

O pênis e o clitóris têm a mesma origem, e o que os diferencia são os hormônios sexuais, que, no caso do homem, "comandam" a tranformação do órgão primitivo em um pênis.

Quem faz isso é a dihidrotestosterona, que se origina da testosterona. Mulheres não produzem dihidrotestosterona, ou seja: possuem clitóris. Para os homens, a ação do hormônio é o desenvolvimento do pênis. O

s Guevedoces possuem uma deficiência na enzima 5-alfarredutase, que faz a conversão da testosterona. Sem conversão, sem pênis. E assim nascem as crianças com o que parece ser uma vagina. Essa condição não é restrita à República Dominicana, apesar de ser mais frequente em uma parte da população do país.

Mas então, por que no início da puberdade os pênis dos adolescentes começam a crescer, causando uma verdadeira bagunça na cabeça de qualquer pessoa sã? McGinley também encontrou uma resposta para isso.

No começo da adolescência, como qualquer outro garoto comum, eles recebem uma alta dose de testosterona. Em um adolescente qualquer, isso causa crescimento de pelos, suor, aparecimento de músculos e de desejo sexual.

Nos Guevedoces, todos esses sintomas são acompanhados pelo crescimento do pênis e dos testículos. A partir daí, a maioria não possui mais problemas com os órgãos sexuais, e continuam se desenvolvendo normalmente.

Mas é claro que uma mudança desse porte é bastante traumática, especialmente na adolescência, quando o jovem está mais suscetível ao famoso bullying. Tanto que alguns preferem fazer a cirurgia de redesignação sexual. No caso, a mudança de sexo na verdade não é exatamente uma mudança, mas sim uma continuidade.

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