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23/09/2015 19:37 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Reforma ministerial abafa impeachment de Dilma entre peemedebistas

Montagem/Estadão Conteúdo

O redesenho da Esplanada, com novos ministros, deu um novo gás para a relação da presidente Dilma Rousseff com o PMDB. A decisão de entregar uma pasta de peso (a Saúde) para os aliados e chamar as bancadas, principalmente a da Câmara para conversar, foi capaz de abafar o impeachment entre os peemedebistas e de apontar para um futuro promissor entre a petista e os peemedebistas na Câmara dos Deputados. O risco de tudo ir por água abaixo, entretanto, é iminente.

Ainda esta semana a presidente deve anunciar quais nomes do PMDB da Câmara ela acatou. Na manhã desta quarta-feira (23), o líder do PMDB na Casa, Leonardo Picciani (RJ), entregou uma lista de nomes para a mandatária escolher. Entre eles, está o nome do deputado Manoel Júnior (PB), para a Saúde, além de Sérgio Souza (PR), José Priante (PA) e Celso Pansera (RJ), para uma nova pasta que agregará setores ligados à infraestrutura.

No Senado, o líder do partido, Eunício Oliveira (CE), tem dito a correligionários que a bancada se sente representada pelos ministros Kátia Abreu, da Agricultura, Hélder Barbalho, da Pesca, e Eduardo Braga, de Minas e Energia.

O problema é que há ministro demais para pouca pasta. Como a Pesca deve ser incorporada à Agricultura, nos bastidores, o senador Jader Barbalho (PMDB-AP), faz pressão para que o filho, Hélder, seja realocado em outro ministério. Há ainda os casos do afilhado político do vice-presidente, Michel Temer, Eliseu Padilha, ministro da Secretaria de Aviação Civil - que deve ser extinta, e de Henrique Eduardo Alves, ministro do Turismo, teoricamente, um nome da Câmara dos Deputados.

Enquanto o resultado não sai, a negociação da presidente rendeu bons frutos ao governo. Dentro do PMDB, já se fala em recomposição da base e até o discurso em favor do impeachment foi esvaziados. Há quem argumente que isso se deve ao peso do Ministério da Saúde.

Em entrevista coletiva, Picciani minimizou a relação turbulenta entre o partido e a presidente

"O PMDB sempre esteve absolutamente distante do impeachment, não obstante alguns parlamentares e algumas pessoas no partido o defendem. Mas isso sempre foi uma evidente minoria. A maioria sempre foi contrária a tese do impeachment, sem que haja um fato que justifique. Acho que não modifica, o PMDB continua onde sempre esteve. O PMDB é um partido que defende a democracia, defende o resultado das urnas.”

O líder diz que, como o partido reclamou por muito tempo do distanciamento, é positiva a movimentação da presidente. Segundo ele, a medida que avançar a reforma administrativa e o diálogo com a base, o relacionamento vai melhorar. Ele negou troca de cargos por votos. Segundo Picciani, o partido "vem ajudando mesmo sem ter cargos, aliás o PMDB já tem e ajudava, mesmo no momento que não se sentia tão contemplado, não deixou de ajudar”.

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