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20/09/2015 19:25 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:40 -02

Não deixe Donald Trump te enlouquecer... ainda

FREDERIC J BROWN via Getty Images
Republican presidential hopeful Donald Trump speaks during the Republican Presidential Debate at the Ronald Reagan Presidential Library in Simi Valley, California, September 16, 2015. Republican presidential candidates collectively turned their sights on frontrunner Donald Trump at the party's second debate, taking aim at his lack of political experience and his sometimes abrasive style. AFP PHOTO / FREDERIC J BROWN (Photo credit should read FREDERIC J BROWN/AFP/Getty Images)

Fissurados em política de todo o mundo estão preocupados que nós, americanos loucos, estamos prestes a eleger um bilionário palhaço, racista, autoritário chamado Donald Trump para ser presidente dos Estados Unidos.

Isso é perfeitamente compreensível.

Ele não disparou para a liderança nas pesquisas? Os meios de comunicação americanos não estão obcecados com ele e os julgamentos que ele faz? Os especialistas que desacreditaram nele estiveram errados a cada passo até aqui? O Big Money não é tudo o que importa na condução das eleições dos Estados Unidos? Ele não está meramente usando palavras mais grosseiras do que o normal para expressar uma agenda de exclusão e desprezo por imigrantes e estrangeiros que é poderosa, não só nos EUA, mas em todo o planeta?

Sim, sim, sim, sim e sim.

Mas nada disso significa que Trump será o prometido para o cargo de 45º presidente dos Estados Unidos em 20 de janeiro de 2017. Ou em qualquer outra data.

Para entender porquê, você precisa olhar mais atentamente à (maravilhosamente?) insana, longa, complexa e teatral maneira com que nós americanos elegemos nosso chefe executivo.

Aqui estão os principais pontos para se lembrar:

Um mês é um ano, e um ano é uma vida inteira. Os eventos passam mais rápidos do que nunca, em parte porque os lapsos de atenção estão mais curtos do que nunca. Trump anunciou sua candidatura para o Partido Republicano há exatamente três meses. Na época, ele era um pontinho no radar das pesquisas nacionais. Aquilo que sobe tão rapidamente também pode facilmente despencar da mesma forma.

Ninguém vota até 1º de fevereiro de 2016. São quatro meses e meio até os eleitores republicanos depositarem seus primeiros votos, nos caucuses de Iowa. Trump consegue aguentar a barra e a luta da sua candidatura antitudo? Quanto mais barulho, mais ele vai se tornar inevitavelmente um candidato como qualquer outro.

Debates, Debates, Debates. Os republicanos estão programados para realizarem ao menos nove debates de agora até e a próxima primavera antes que a candidatura deles para a corrida eleitoral seja decidida. Trump conseguirá revelar e defender propostas políticas e planos de verdade para uma administração? Ele precisará até que o tempo acabe. Fazer barulho não vai sustentá-lo até o fim.

E dinheiro, dinheiro dinheiro. Trump afirma que ele é e será "autofinanciado" em sua campanha. E por que não, já que ele afirmou que ele vale U$ 10 bilhões? Mas, mesmo aceitando a figura dele, não está claro o quão "líquida" é essa riqueza e o quanto ele realmente está disposto a gastar em um ambiente no qual um rival ou dois podem levantar fundos e gastar U$ 500 milhões. Trump realmente quer gastar tanto assim? Mais do que isso, a filha dele quer?

Os detalhes. Trump determinou uma política detalhada sobre imigração. Está cheia de argumentos específicos sobre voltar para onde eles vieram. Politicamente, é a questão mais segura para ganhar o apoio republicano. Mas agora ele diz que em breve vai revelar suas propostas sobre impostos. As visões dele não são tão ortodoxas como as do Partido Republicano, o que pode desacelerar seu impulso. Outras propostas políticas podem se provar igualmente complexas politicamente.

O estabelecimento. É verdade que os "poderes constituídos" do Partido Republicano já foram maiores. Mas eles veem a chance de retomar a Casa Branca -- para se juntar ao seu controle do Congresso e, nominalmente, a Suprema Corte dos EUA -- e eles vão lutar até a morte para manter esse controle através de Washington longe de ser arruinado por políticos como Trump. Levará meses para eles escolherem seu candidato, mas eles escolherão. E quando o fizerem, eles vão descarregar no Donald.

Estratégia de campanhaTrump até agora tem se concentrado em comícios de massa. Mas se ele deve ganhar em Iowa e New Hampshire - que são essenciais para as suas chances - ele vai ter que se expor ao imprevisível "pegar ou largar" das conversas cara a cara. Ele pode acabar com campanhas rivais com um comentário desagradável; ele não se atreve a fazer isso aos eleitores individuais. Isso violaria os rituais de papa-lavando-os-pés da política americana.

Sua mensagem central. A faísca que acendeu o fogo Trump era o temor de raças e etnias. Ele ganhou uma posição na política questionando a nacionalidade do presidente Barack Obama. Ele causou um burburinho quando denunciou que muitos imigrantes mexicanos sem documento eram traficantes e estupradores. Tais comentários deram a ele uma base, mas ela é limitada. A maioria dos republicanos não acha que podem ganhar a Casa Branca com o discurso de ódio de Trump.

Erros. Ninguém, nem mesmo Donald Trump, passa por uma campanha inteira sem dar um passo em falso. Ele vai, e isso vai ser amplificado por conta da sua postura egoísta.

A Convenção do Partido Republicano. Os republicanos não vão se aquietar oficialmente na indicação presidencial até julho de 2016. Este ano, a convenção da nomeação será sediada em Cleveland, que é a terra de um outro partido republicano, do governador de Ohio John Kasich, e lá não é exatamente um viveiro de mudança radical na política. Se Trump não tiver ganhado a corrida do Partido Republicano oficial até então, ele não vai ser capaz de arrastá-la junto com ele para o chão da arena Quicken Loans.

A eleição geral. Uma das esquisitices das eleições presidenciais americanas é que passamos muito mais meses para decidir quem ganha as principais indicações do partido do que gastamos para decidir quem ganha a Casa Branca. Os nomes indicados pelos republicanos e democratas são geralmente mais sãos e mais moderados do que os excessos a que eles sobreviveram. Isso é um resquício do ainda poderoso centrismo, felizmente, que controla a política americana. A eleição geral não vai rolar até novembro de 2016. Se Trump, de alguma forma, conseguir ganhar a nomeação republicana, ele ainda teria que provar para milhões de eleitores indecisos em cima do muro que ele não era alguém dos extremos.

E se ele chegar tão longe, e gerenciar para fazer isso, ele não vai mais ser realmente Donald Trump. Não o de hoje.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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