ENTRETENIMENTO

6 motivos que fazem de 'Corrente do Mal' um dos melhores e mais assustadores filmes de 2015

19/09/2015 11:08 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:38 -02
Reprodução

Com um orçamento de U$ 2 milhões e faturamento de U$ 160 milhões só nos Estados Unidos, Corrente do Mal - no original, It Follows - é de longe um dos maiores sucessos comerciais de 2015.

Dirigido por David Robert Mitchell e apontado como um dos grandes filmes do ano, a película conta a história de uma jovem que é perseguida por uma entidade sobrenatural transmitida sexualmente.

Repleto de metáforas, planos perturbadores e diversas referências aos clássicos do cinema de horror das décadas de 1970 e 1980, o segundo grande filme de Mitchell está longe de parecer um simples filme de terror.

Aproveitando a chegada do Blu-Ray do filme, preparamos uma seleção com seis elementos que fazem de Corrente do Mal um dos melhores e mais assustadores filmes de 2015.

1. Homenagens a clássicos do cinema de horror estão por todas as partes.

Da trilha sonora inspirada nos suspenses de John Carpenter, passando pelos filmes com massacre de jovens, típico de obras como O Massacre da Serra Elétrica (1974), Sexta-Feira 13 (1980) e A Hora do Pesadelo (1984), difícil assistir Corrente do Mal e não perceber as diversas pistas deixadas pelo diretor David Robert Mitchell.

Entre os cineastas apontados por Mitchell como referências, nomes como Stanley Kubrick (O Iluminado), David Cronenberg (Videodrome) e Sofia Coppola (As Virgens Suicidas).

Outras referências que surgem de forma bastante explícita no decorrer do filme são os clássicos em preto e branco assistidos pelo personagem Paul (Keir Gilchrist). Entre as películas homenageadas por Mitchell, obras de ficção científica como Killers From Space (1954) e The Giant Claw (1957).


2. A fotografia de Mike Gioulakis é primorosa.

Vindo de uma sequência de filmes em curta-metragem, Mike Gioulakis, diretor de fotografia do filme faz com que a câmera acompanha de perto cada personagem, criando uma sensação de perseguição. Entre os trabalhos de Gioulakis, filmes como Marcados Pela Guerra (2014) e John Morre no Final (2012).


3. Sonho ou realidade?

David Robert Mitchell, diretor do filme, disse em diversas entrevistas que muito do que inspirou a história, cenas e personagens da trama é fruto de seus próprios pesadelos. Perceba como a entidade "sobrenatural" do filme parece muito com aquele monstro que você encontra em qualquer pesadelo - lento, sem rosto porém, mortal.

Outro elemento típico de sonhos são os gritos abafados que ninguém consegue ouvir e o completo descontrole do próprio corpo e objetos - no filme, tiros nunca são disparados corretamente. Temas como sexo, incesto, nudez em público e outros elementos do subconsciente recheiam o trabalho, fortemente inspirado por diretores como David Lynch.


4. Um filme atemporal e "alocal".

shell phone

Um dos cuidados que o diretor David Robert Mitchell teve durante as filmagens de Corrente do Mal foi o de transformar a película em uma obra atemporal e "alocal". Marcas, roupas, carros, nomes, datas e todo o cenário pensado para o filme parece não se encaixar em nenhum contexto específico e, ao mesmo tempo, em todos.

Na programação da TV, apenas filmes em preto e branco. Carros poderiam ser encontrados no final dos anos 1960 como no começo dos anos 1990. No lugar de smartphones, o curioso Shell Phone, um aparelho inspirado em telefones típicos da década de 1950. No figurino, peças extraídas de diferentes épocas e tendências. Segundo Mitchell, a proposta é brincar com a interpretação do público.

Vai dizer que você não ficou incomodado com a cena em que Jay e Jake entram em um cinema e um pianista está tocando uma espécie de sintetizador futurístico? 1950 ou 2015?


5. Você vai ficar arrepiado com a trilha sonora.

Mais conhecido pela produção de trilhas sonoras para jogos de video game, Rich Vreeland, responsável pela música do filme, é o "culpado" por boa parte da tensão que define Corrente do Mal.

Inspirado pela trilha sonora dos filmes de veteranos como John Carpenter, o músico norte-americano assina uma trilha instável, repleta de sintetizadores e ruídos eletrônicos que crescem e diminuem a todo o instante.

Difícil não lembrar de clássicos como Halloween (1978), O Enigma do Outro Mundo (1982) ou mesmo de trilhas recentes, caso do trabalho da britânica Micachu na trilha sonora do filme Sob a Pele (2013).


6. Não é “apenas mais um filme de terror”.

Com trilha sonora, roteiro, fotografia e direção primorosa, Corrente do Mal acabou se transformando em um dos trabalhos mais elogiados e premiados do ano. Além da indicação no Festival de Cannes de 2014, o filme já faturou uma sequência de prêmios em diversas partes do globo.

Aos notas atribuídas ao filme também são altas. No Metacritic, a somatória de notas resultou em uma média 83. Já no Rotten Tomatoes, Corrente do Mal conta com uma aprovação de 96%, ocupando um lugar de destaque junto de Mad Max: Estrada da Fúria (97%) e Divertidamente (98%).


Veja o trailer do filme: