MUNDO
17/09/2015 18:30 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:40 -02

7 fatos que os educadores querem que você saiba sobre as crianças de Nova Orleans

Joe Raedle via Getty Images
NEW ORLEANS, LA - AUGUST 28: Members of the Warren Easton High School marching band wait to greet former President George W. Bush during his visit to the school to mark the 10th anniversary of Hurricane Katrina on August 28, 2015 in New Orleans, Louisiana. The former President's visit came as the town prepares to honor the tenth anniversary of Hurricane Katrina, which killed at least 1836 and is considered the costliest natural disaster in U.S. history, on August 29. (Photo by Joe Raedle/Getty Images)

Observe o estado da educação em Nova Orleans e você vai ver que as coisas vêm melhorando desde 2005, ano em que o furacão Katrina devastou a cidade. Mas, embora o progresso das escolas mereça ser elogiado, os líderes educacionais da cidade dizem que isso não é um retrato completo do que se passa na cidade.

As lideranças da cidade dedicam suas vidas às crianças que -- eles esperam – vão guiar Nova Orleans para um futuro melhor. Mas ainda alunos, professores e famílias ainda têm de superar desafios, muitos dos quais atingem os negros de maneira desproporcional.

Conversamos com líderes negros das escolas de Nova Orleans. Eles falaram sobre o estado da educação na cidade e sobre as áreas que melhoraram nos últimos dez anos – e também sobre as áreas que ficaram para trás.

Eis sete coisas que eles querem que você saiba.

1. Há uma necessidade enorme de mais mentores e professores experientes.

As crianças de Nova Orleans precisam de exemplos positivos, diz Jamar McKneely, CEO e co-fundador das escolas cooperativas InspireNola, que representam duas escolas.

“Todos os dias vemos assassinatos no noticiário, especialmente em Nova Orleans. E não somente vemos assassinatos, vemos homens e mulheres negras sendo baleados”, disse ele. “Então [as crianças] não entendem o que podem se tornar, porque [a violência] é tudo o que elas glorificam e veem.”

Além disso, a população estudantil de Nova Orleans é menos parecida com os professores do que antes do furacão. Depois do Katrina, houve demissões em massa de professores, pois muitas escolas foram fechadas ou transformadas em cooperativas. Os professores que foram contratados depois são mais brancos e têm menos experiência que os anteriores.

No ano escolar de 2003-2004, 72% dos professores da cidade eram negros. Em 2013-2014, o índice era de 49%. No ano escolar de 2004-2005, somente 48% dos professores tinham menos de dez anos de experiência. Em 2013-2014, o número subiu para 70%, segundo dados da Education Research Alliance for New Orleans .

2. Os índices de sucesso aumentaram dramaticamente.

Em 2005, quase 75% das escolas de Nova Orleans seriam reprovadas de acordo com os padrões estaduais. Esse número caiu dramaticamente: agora é de apenas 7%. A cidade, que agora é a líder nacional em graduação de homens negros, credita muito do sucesso ao 1,8 bilhão de dólares investido no reparo das escolas destruídas pela tempestade – e também ao trabalho de líderes comprometidos com mudanças.

Avaliações educacionais sugerem que as crianças estão indo melhor na escola agora do que antes do Katrina. Os índices de graduação aumentaram dramaticamente nos últimos dez anos, de 54% para 73%. O número de estudantes com boa performance também melhorou, segundo um relatório da National Urban League.

Sivi Domang, co-diretor da Arthur Ashe Charter High School, diz que pode ver a diferença.

“No geral, o distrito está absolutamente mais forte que no passado”, disse Domango. “Acho que agora o foco na educação é a chave para o sucesso e para o crescimento continuado da cidade.”

crianças

MARIO TAMA VIA GETTY IMAGES

3. A pobreza infantil tem sérias consequências.

Mais de 50% das crianças negras de Nova Orleans vivem na pobreza, mostram os dados. Os números estarrecedores são resultado de baixa renda e altos índices de desemprego entre os negros da cidade – e a disparidade em relação aos brancos continua aumentando.

Para muitas crianças negras, as sérias consequências da pobreza na infância vão além do impacto do sucesso na escola. Suas vidas também são afetadas.

“Isso serve para mostrar as diferentes dinâmicas que nossas crianças vivenciam em casa. Elas precisam apenas de alguém que acredite nelas e que promova uma atmosfera segura”, disse McKneely.

“Precisamos conversar seriamente sobre as estatísticas e dizer: ‘O que podemos fazer nos próximos três anos para realmente reduzir essa disparidade?’ Porque, se ainda temos crianças vivendo na pobreza, ainda estamos perdendo o bonde”, acrescentou ele.

4. Existe um foco importante na educação pós ensino médio e na preparação para a vida profissional.

Domango afirma que, na escola dela, há mais ênfase na faculdade hoje do que no passado.

“Certamente nos focamos muito [na faculdade]”, diz Domango. “Não que a faculdade não fosse um foco inicialmente, mas essa conversa é mais presente hoje.”

Isso se reflete nas estatísticas de matrícula em universidades. Cerca de 60% dos estudantes que terminaram o ensino médio em 2014 entraram na faculdade assim que se formaram, relata a National Urban League. Desse total, cerca de 48% entrou numa faculdade do próprio Estado. Em 2004 -- quando o departamento de educação da Louisiana só coletou dados sobre os alunos que continuaram no Estado --, 37% dos formando do ensino médio entraram numa faculdade do próprio Estado.

5. As preocupações com a saúde mental e psicológica não devem ser ignoradas.

A experiência de devastação e morte do furacão Katrina teve sérias consequências psicológicas para as crianças e suas famílias.

Em Nova Orleans, 60% das crianças mostram sinais de transtorno do estresse pós-traumático, segundo o consultor de educação Nash Crews. Comparadas com as do resto do país, as crianças de Nova Orleans têm 4,5 vezes mais propensão a mostrar sintomas de sérios distúrbios emocionais.

“Com certeza houve impacto emocional para as nossas crianças. Eles tiveram dificuldades na escola”, afirma Domango.

Enquanto isso, as escolas têm dificuldade para lidar adequadamente com as necessidades dos alunos afetados emocionalmente pela tragédia, o que muitas vezes leva a suspensões ou expulsões quando os alunos exibem problemas comportamentais. Numa tentativa de encontrar soluções, a cidade vai lançar um programa de atendimento individual para as crianças.

saúde mental

6. Ainda há muito a fazer.

Apesar de ter havido uma melhora sensível na qualidade da educação em Nova Orleans, ainda há muito a fazer, dia McKneely.

“Acho que um dos maiores desafios é que, apesar dos avanços, ainda temos um longo caminho pela frente”, disse ele. “Realmente precisamos, mais que nunca, que nossos verdadeiros líderes deem um passo à frente e definam uma agenda comum para que possamos unir nossas forças.”

“Mesmo que os índices de graduação tenham melhorado e tenhamos mais negros se formando, ainda faltam empregos”, disse McKneely. “E aí, o que você faz? Mesmo que eles se formem, os únicos empregos que podemos oferecer têm salários muito baixos. É um ciclo contraproducente.”

7. Mas há muita esperança no futuro.

Apesar dos desafios, os líderes escolares se dizem otimistas em relação ao futuro das escolas de Nova Orleans e têm altas expectativas em relação à próxima década.

Em 2006, o então presidente, George W. Bush, visitou a Warren Easton Charter High School para marcar o primeiro aniversário do furacão Katrina. Ele voltou à escola no fim de agosto.

“Quando ele veio [na primeira vez], não tínhamos ar-condicionado, não tínhamos quadra esportiva, um centro médico, e agora temos tudo isso”, diz a diretora Alexina Medley. “Agora podemos dizer: ‘Ei, avançamos muito’. Se fizemos tudo isso em dez anos, pense no que seremos capazes nos próximos dez.”

SIGA NOSSAS REDES SOCIAIS:


Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.