NOTÍCIAS
15/09/2015 16:43 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:38 -02

Charlie Hebdo desencadeia nova polêmica com charges sobre refugiados

charlie

O jornal satírico francês Charlie Hebdo ficou no centro de uma polêmica nesta semana.

A publicação divulgou charges que abordam a reação países europeus predominantemente cristãos à onda de imigrantes de zonas de guerra sobretudo muçulmanas, como Síria e Iraque.

Um dos desenhos é a representação da foto chocante de Aylan Kurdi, o menino sírio encontrado morto em uma praia da Turquia depois de uma tentativa fracassada de cruzar o Mar Mediterrâneo com a família para a Grécia. A foto despertou o mundo para a crise migratória.

A charge do Charlie Hebdo mostra uma criança de bermuda e camiseta, com o rosto afundado na areia, ao lado de um cartaz de propaganda divulgando promoção de duas refeições infantis pelo preço de uma.

“Cheguei tão perto...”, diz o texto.

Outra charge, também de autoria de um dos desenhistas que sobreviveram ao atentado à redação da revista em Paris, traz a legenda: “Uma prova de que a Europa é cristã”.

Ela acompanha a imagem de uma figura semelhante a Jesus caminhando sobre a água enquanto uma figura menor de bermuda mergulha de cabeça. O primeiro diz: “Os cristãos caminham sobre a água”, e o segundo diz: “As crianças muçulmanas se afogam”.

O semanário se tornou um símbolo da liberdade de expressão depois de ser alvo de um ataque de militantes islâmicos em janeiro passado por ter publicado charges debochando do profetá Maomé.

O desenho despertou críticas da mídia internacional e também de veículos franceses, que classificaram a charge como "insensível" e "repugnante".

No entanto, algumas opiniões contrárias afirmam que a revista estava criticando a posição europeia em relação ao fluxo de refugiados para o continente, e não ironizando a morte de Aylan.

"Ainda é o mesmo Charlie, e está fazendo um grande trabalho", afirmou o colunista da Bloomberg, Leonid Bershidsky, que classificou o desenho como uma forma "honesta" de contar a história.

O jornal inglês Metro também assumiu uma postura mais moderada, afirmando que o desenho era uma crítica ao "consumismo europeu, em face de uma das piores tragédias dos nossos tempos".

O The Telegraph, também do Reino Unido, defendeu a Charlie Hebdo afirmando que a charge visava ironizar todos aqueles que compartilharam a foto do menino, "sentido muito" por tudo o que aconteceu.

Nas redes sociais, a maioria das reações foi bastante furiosa, mas houve também quem defendesse os cartunistas.

Senhoras e senhores, Charlie Hebdo. É por isso que eu nunca fui, e nunca serei Charlie. Como você pode ironizar essa pobre criança?

#CharlieHebdo pode ir para o inferno com o seu "você não está entendendo". VOCÊS não entendem sua sátira torta e insensível.

O uso da imagem de Aylan Kurdi para a proposta satírica da Charlie Hebdo é realmente ofensiva e condenável. Eu apoio a liberdade de expressão, mas usar o corpo de uma criança... Eu lamento pela #CharlieHebdo

Pessoal, a Charlie Hebdo não é uma sátira. Sátira é uma ferramenta usada pelo oprimido para ironizar o opressor. Não o contrário. Por favor.

Nota para Charlie Hebdo: Há uma diferença entre a liberdade de expressão e entre ser racista / xenófobo.

Se você acha que a Charlie Hebdo zombando da morte de Aylan Kurdi, o menino sírio encontrado morto em uma praia turca, é liberdade de expressão, Deus ajude-o.

Alguém lembre a Charlie Hebdo que a sátira deve ser divertida. Também seria apropriado se eu desenhasse charges dos seus cartunistas mortos?

Eu respeitei a Charlie Hebdo uma vez. Não cometerei o mesmo erro de novo. Nojo.

No entanto, houve quem defendesse a revista, afirmando que a charge pretendia ironizar a postura da União Europeia em relação aos refugiados, e não a morte de Aylan.

Mais uma vez as pessoas estão perdendo o foco em relação a Charlie Hebdo. Isso é uma sátira e um espelho mordaz dos nossos valores.

(Com informações da Reuters)

SIGA NOSSAS REDES SOCIAIS: