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05/09/2015 13:26 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:34 -02

Ativista argentina diz que não há mais espaço para ditaduras militares na América Latina

Montagem/Agência Brasil e Estadão Conteúdo

A ativista dos direitos humanos argentina Estela de Carlotto, presidenta do grupo Avós da Praça de Maio, repudiou a possibilidade da volta de militares ao poder na América Latina, como pregam alguns grupos durante manifestações de rua no Brasil e em outros países do continente.

“[Não há mais espaço], de nenhuma maneira. Os países da América Latina não devem ter mais governos de poder ilícito e de força tirânica. Acredito que estamos preparados para nos defender”, afirmou Estela, que, aos 84 anos, finalmente conseguiu reencontrar, no ano passado, seu neto.

A comprovação foi possível por meio de exames de DNA. Quando bebê, ele havia sido tirado da filha Laura. Ela estava grávida ao ser presa e, posteriormente, foi morta no cárcere pela ditadura argentina, em 1978.

Na quinta-feira (3), Estela participou de um debate sobre direitos humanos e direito à verdade, ao lado do embaixador argentino no Brasil, Luis María Kreckler, e da ativista dos direitos humanos brasileira Nadine Borges. A conversa ocorreu no estande da Argentina, país homenageado este ano na Bienal do Livro, no Centro de Convenções Riocentro.

Presidenta desde 1989 das Avós da Praça de Maio, grupo formado por mulheres que buscam até hoje os netos roubados pela ditadura, Estela classificou como maus cidadãos as pessoas que defendem a volta dos militares ao poder ou a interrupção de mandatos democraticamente eleitos.

“Assim também ocorre na Argentina, mas não devem ser muitas pessoas. Devem ser más pessoas. Elas dizem que estavam melhor em uma ditadura, com um governo de força e não democrático. Nós sabemos quem são os que buscam voltar a um passado sinistro. Talvez precisemos lembrar a essas pessoas o que ocorreu, porque podem ter perdido a memória. É injusto e ilegal que se retire um governo eleito pelo povo.”

Informações sobre as Avós da Praça de Maio podem ser obtidas na página do grupo na internet. Até hoje, elas conseguiram recuperar a identidade de 117 pessoas, recém-nascidos que eram tirados à força dos pais, torturados e mortos em cativeiro, e dados para adoção, muitas vezes para famílias ligadas à ditadura.

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