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04/09/2015 11:20 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:34 -02

Corrupção presente na Fifa nasceu no Brasil, diz jornalista britânico Andrew Jennings

Wilton Junior/Estadão Conteúdo

A CPI do Futebol ouviu nesta quinta-feira (3) o jornalista britânico Andrew Jennings, da BBC de Londres. Ele é o autor dos livros que serviram de base para as investigações do FBI - a polícia federal norte-americana - que levaram este ano diversos dirigentes do futebol mundial à prisão, entre eles o ex-presidente da CBF, Jose Maria Marin.

Em seu depoimento, Jennings afirmou que a Polícia Federal e o Ministério Público brasileiro deveriam estar mais envolvidos em investigar a corrupção no futebol. Ele defendeu também que essas instituições colaborassem com as polícias suíça e norte-americana. "Essa pode ser a caixa de Pandora que pode mudar o futebol aqui e na América do Sul", disse.

O jornalista ressaltou que a má gestão do futebol prejudica a sociedade em diversos aspectos, inclusive socioeconômicos. Para ele, é "absurdo" por exemplo, o fato da Seleção Brasileira quase nunca disputar partidas em nosso território, com a exceção dos jogos eliminatórios para a Copa do Mundo. "É preciso investigar a razão disso aí. Sua seleção se apresenta no mundo todo e quase nunca por aqui. Por que isso?".

Jennings defendeu que as investigações também devem se dar sobre os contratos de transmissão e marketing desses jogos, assim como dos aviões e hotéis que são utilizados como estrutura no deslocamento do time. Ele ainda sugere um olhar minucioso sobre os contratos ligados à organização da Copa do Mundo no ano passado.

"Esquema corrupto nasceu no Brasil"

Baseado nas investigações que realiza há anos, e da colaboração com o FBI desde 2009, Jennings garantiu que o esquema de corrupção presente no futebol mundial nasceu no Brasil. "Começou na década de 70 quando João Havelange se elegeu para a presidência da Fifa. Joseph Blatter foi seu principal assessor e deu continuidade ao modus operandi".

Ele informou ainda que as investigações do FBI e da polícia suíça "estão na metade e muita gente ainda vai acabar atrás das grades". Ainda em seu depoimento, Jennings sugeriu que Blatter tem ligações com a máfia russa e ironizou assessores da CBF que acompanham seu depoimento pessoalmente na Comissão.

"Fiquem até o fim, voltem para o Rio, fechem aquela entidade e a reabram redemocratizada para a sociedade brasileira", concluiu.

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