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02/09/2015 16:21 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:32 -02

Fotos de menino sírio encontrado morto na Turquia chocam o mundo e mostram face mais brutal da crise dos refugiados

Nesta quarta-feira (2), a crise imigratória da Europa escancarou, em forma de imagens, sua face mais brutal.

O corpo de uma criança de cerca de dois anos foi encontrado em uma praia turca. Além dele, pelo menos 11 refugiados sírios - entre eles cinco crianças - morreram quando tentavam chega à ilha grega de Kos. De acordo com a polícia da Turquia, o menino morreu após dois barcos, que carregavam um total de 23 pessoas, se acidentarem no percurso. Duas pessoas ainda seguem desaparecidas.

A foto, obviamente, chocou o mundo inteiro, por ser muito mais forte e direta do que números e estatísticas. Apesar de seu impacto, no entanto, ela não muda a dimensão da crise, só escancara - ainda mais - sua esfera mais humana. É possível não ver a imagem, mas não há como ignorar o drama vivido pelas centenas de milhares de refugiados que arriscam suas vidas nas águas do Mediterrâneo.

A Organização Internacional para as Migrações informou nesta quarta que mais de 350 mil migrantes atravessaram o Mediterrâneo desde janeiro e mais de 2.600 morreram no mar enquanto tentavam chegar à Europa.

Uma das imagens mais chocantes divulgadas na internet, e que não será exibida nessa reportagem, mostra o menino, que vestia bermuda jeans e camiseta vermelha, com o rosto na areia.

Como já dissemos aqui em outra ocasião, a Europa tenta, entre poucos avanços e muitos retrocessos, resolver (será possível) a crise humanitária que desemboca no continente- mas que é resultado de perseguições, terrorismo e de uma guerra civil, que assola a Síria há mais de quatro anos.

Enquanto a Alemanha, com um estado de bem-estar social e leis de asilo mais flexíveis, absorve a maior parte do contingente e se depara com episódios preocupantes de xenofobia, a Hungria segue com a construção de um muro em suas fronteiras para "proteger seu território".

Em Budapeste, na capital do país, a estação de trem foi fechada pelo segundo dia consecutivo para impedir que refugiados vindos da Síria e de outros locais do Oriente Médio sigam viagem rumo a outros países do continente. Milhares de pessoas acampam nos arredores da estação Keleti, e o governo húngaro se reúne, mais uma vez, para tentar tomar providências.

Também nesta quarta, mais uma foto causou indignação nas redes sociais. O jornal tcheco "Zprávy" publicou uma foto que mostra o momento em que uma policial marca, com uma caneta, a mão de uma refugiada. Em seu lado, há outro menino, que tem marcado o número 77. Segundo o Huffington Post Espanha, a foto é da agência ČTK. A polícia usa as marcas para identificar os imigrantes que não possuem documentos e que não falam inglês.

Sobre a foto do menino sírio: Resolvemos publicá-la aqui, pois achamos que é possível escolher não ver a imagem (que é extremamente forte e chocante), mas não é possível ignorar o que se passa do outro lado do Atlântico.

Mesmo no Brasil, com um número infinitamente inferior de refugiados -- segundo o Ministério de Justiça, são ao todo 7.946, a maioria sírios -- vemos manifestações de xenofobia e racismo.

É preciso entender, de uma vez por todas que, antes de tudo, a questão dos refugiados deve ser encarada como uma questão de direitos humanos.