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Do romantismo à intervenção militar: Monarquistas alimentam sonhos pela volta dos Orleans e Bragança ao poder no Brasil

29/08/2015 08:44 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:32 -02
Montagem/Reprodução Facebook


No próximo dia 15 de novembro, se celebra no Brasil a proclamação da República no Brasil. Mas para um grupo de brasileiros, não há nada que ser comemorado. Há 126 anos, o que o País viveu foi um ‘golpe republicano’. É assim que se referem à data os monarquistas, pessoas que exaltam os 81 anos imperiais que o Brasil viveu, desde a chegada da família real, em 1808, até a queda de Dom Pedro II.

Não foram poucas as pessoas surpresas ao ver defensores do retorno da monarquia nos três atos realizados em 2015, todos contrários ao governo da presidente Dilma Rousseff e ao partido dela, o PT. O que se viu nas ruas e na TV em março, abril e em agosto foi o resultado do trabalho feito pelos monarquistas nas redes sociais. Não é exagero que a tecnologia fez o movimento renascer.

“Começamos a fazer um trabalho e ele refletiu na criação de uma associação. Nós discutimos sobre a monarquia parlamentar no Facebook e surgiu essa ideia de tirar isso da internet e levar para o público em geral”, explicou o chanceler nacional do Círculo Monárquico Brasileiro, Carmelo Mucio. A entidade, fundada em 7 de setembro do ano passado, expõe que a exaltação da monarquia em maior escala ainda é recente.

A reportagem do Brasil Post ouviu outros defensores da volta da monarquia no Brasil. Em um ponto todos concordam: a família Orleans e Bragança, deposta em 1889, deveria voltar a governar o País sob o regime da monarquia parlamentarista – também chamada de monarquia constitucional. Seria o reconhecimento por parte do Estado brasileiro de um imperador como chefe de Estado, mas com uma Constituição com restrição de poderes. O chefe de governo seria um primeiro-ministro, a ser indicado pelo Parlamento.

“A gente não estaria em uma situação tão grave se vivêssemos em uma monarquia. Nela, a representação é perene, o rei fica e os governos passam, sem essas forças que vemos hoje brigando entre si, sem essa luta de partidos. Na monarquia, o rei dá exemplo, não estaríamos vendo essa corrupção toda”, avaliou o estudante de história pela UFRJ, Gabriel Ferraz, de 19 anos.

Ele é quem administra a página Diga Sim à Monarquia, que conta com mais de 6 mil curtidas no Facebook. Nela, o monarquista – que disse ter sido atraído pelo romantismo imperial narrado por Laurentino Gomes no livro 1808 – procura esclarecer dúvidas sobre a monarquia e divulgar iniciativas a favor da mudança de regime no País. Ferraz diz ter contato com o Círculo Monárquico, mas nega qualquer vínculo com a família Orleans de Bragança.

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Posted by Diga Sim à Monarquia on Sábado, 11 de julho de 2015


“Intervenção sim”

Já o monarquista Cláudio Silva Menezes, de 56 anos, diz possuir “alguns contatos” com os herdeiros de Dom Pedro II no Brasil, mas enfatiza que “eles não se envolvem com política”. Menezes se identifica como presidente do Partido Monarquista Parlamentarista Brasileiro (PMPB), uma sigla que pretende um dia sair do papel. Em 2015, não consta nenhum pedido em andamento para a criação de uma sigla monarquista, segundo dados do TSE, mas - já chegaram a existir quatro pedidos.

Para Menezes, só há um caminho para o Brasil sair da atual situação: uma intervenção militar como a de 1964 e, em seguida, o repasse do País para a família imperial, com a implantação de uma monarquia parlamentarista. “A única esperança é uma mudança no sistema e na regra do jogo. A gente tem que concordar com o artigo 142 da Constituição. É a única forma de desaparelhamento desse ‘partideco’, que implantou essa quadrilha que está aí”, ataca.

Além da defesa dos militares – “precisamos de pessoas isentas e os militares o são” –, Menezes explica ainda que a ideia sugerida pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de retomar o debate acerca de um regime parlamentarista não resolve o problema. “O parlamentarismo republicano não é o que existe pelo mundo hoje. Ele pouco resolve, é o mesmo jogo de cartas marcadas. É preciso do poder moderador e isento do imperador, que não representa partido político”, completa.

Falando em militares, os monarquistas gostam de exaltar que, em 1964, um grupo das Forças Armadas procurou Dom Pedro Henrique de Orleans e Bragança (morto em 1981, bisneto de Dom Pedro II) para que, após o golpe, ele assumisse o Brasil e restaurasse a monarquia. Diz a lenda (não há provas documentais do fato) de que ele – que reivindicava o título de Dom Pedro III – teria se recusado a participar, alegando que a restauração monárquica deveria vir do povo.

Um plebiscito em 1993 poderia ter levado o País por esse caminho. Entretanto, o regime republicano venceu pela esmagadora contagem de 44,2 milhões de votos (66% do total), contra 6,8 milhões (10,2%) a favor da volta da monarquia. “Teve manipulação. Eles adiantaram de setembro para abril, deram uma cédula confusa, então foi um problema de informação”, justifica Gabriel Ferraz. Cláudio Silva Menezes concorda e vai além:

“Acompanhei todo o processo e infelizmente ele foi fraudado, como as últimas eleições do Brasil. Os republicanos viram que a monarquia tinha a simpatia do povo, caminhava a passos largos para vencer. Em junho de 1992 o apoio dos brasileiros eram de 27%. Eles anteciparam a votação por medo. Ao fazer isso, eles tiraram a possibilidade do povo entender o plebiscito e o que é a monarquia”.

E o que diz a família real?

Chefe da Casa Imperial do Brasil e herdeiro do trono no País, Dom Luis Gastão de Orleans e Bragança e sua família recentemente divulgaram uma mensagem de apoio aos que pedem a volta do império. Com 10 mil seguidores, a página da entidade no Facebook recebeu um novo impulso com as mais recentes manifestações públicas a favor da monarquia. Para o herdeiro do trono brasileiro, trata-se de uma demonstração que “o Brasil real vive nos corações do povo brasileiro”.

“As contínuas crises e os cada vez mais frequentes escândalos que vem assolando nossa Pátria demonstram as falhas e a ineficácia da República, tornando cada vez mais claro que um próspero futuro do Brasil reside no Parlamentarismo Monárquico. Estou certo de que com a ajuda de Deus, com as bênçãos de Nossa Senhora Aparecida e com a ardorosa colaboração desses milhares de jovens monarquistas, teremos sucesso em nossa jornada!”, escreveu.

AGRADECIMENTO DO CHEFE DA CASA IMPERIAL DO BRASILÉ com grande satisfação que recebo a notícia de que a página oficial...

Posted by Pró Monarquia on Sábado, 15 de agosto de 2015


Já em 2008, em entrevista ao Jornal Nacional, o bisneto da Princesa Isabel dizia esperar que os brasileiros revisitassem a sua memória, como se faz quando o assunto são as recordações de família.

Irmão de Dom Luis, Dom Bertrand de Orleans e Bragança – segundo na linha sucessória – é outro que aguarda ainda poder ver uma mudança no regime brasileiro ainda em vida. Ele chegou a ir aos protestos contra Dilma e lá sentenciou: "A República cairá de podre em breve".

AGENDA DOS PRÍNCIPESOntem, domingo, 16 de Agosto, o Príncipe Imperial do Brasil, Dom Bertrand de Orleans e Bragança...

Posted by Pró Monarquia on Segunda, 17 de agosto de 2015


Para os entusiastas da monarquia, o movimento que parecia praticamente extinto no início dos anos 2000 está revigorado. O momento é de voltar todos os esforços de esclarecimento e aproximação da população com o que foi o império no Brasil são válidos. Mais do que isso: é a possibilidade de permitir que se escolha “um modelo de sucesso”, contra o atual que “é um fracasso”, nas palavras de Cláudio Silva Menezes.

“Olhe para o mundo e veja o que funciona. Queremos resgatar a nobreza, não só os títulos, mas também elementos como caráter e honestidade, coisas que foram perdidas e não se encontra hoje”, diz. Gabriel Ferraz concorda. "Crescemos cada vez mais entre os jovens e eu espero que um dia a gente alcance esse objetivo de ter um regime monárquico. A monarquia pode não ser para amanhã, mas sim para depois do amanhã".

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Linha do trono imperial do Brasil