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26/08/2015 14:30 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:31 -02

Inconformado com citação na Lava Jato, Collor bate boca com Janot

Montagem/Estadão Conteúdo

Como já era esperado, o senador Fernando Collor de Mello partiu para cima do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Na sabatina de recondução de Janot, Collor acusou o procurador de vazar informações sigilosas e de ter contratado uma empresa de comunicação sem licitação.

Ao responder as indagações, Collor chegou a bater boca com Janot. Com o dedo em riste, o procurador pediu ao presidente da Comissão de Constituição e Justiça, senador José Maranhão (PMDB-PB), que lhe garantisse o direito de falar.

"Eu queria ter assegurado o meu direito de manifestação. Vossa excelência não me interrompa então”, disse Janot. Ele acrescentou ainda que é discreto. “Eu sou discreto, não tenho atuação midiática."

Nas acusações, Collor disse que só em 2014, os três últimos contratos com a empresa de comunicação, feitos por Janot, incluindo termos aditivos, somam mais de R$ 940 mil. “Tudo sem licitação. Imaginem se fosse um prefeito do interior de nosso país ou mesmo de capital, um governador, o que não estaria fazendo o procurador-geral Janot em relação a esses mandatários?”

Collor chegou a sussurrar xingamentos ao chefe do Ministério Público Federal. Segundo relatos de dois senadores e integrantes da equipe de Janot à reportagem, o ex-presidente chamou o procurador-geral de "filho da p..." e "calhorda”.

O áudio dos xingamentos de Collor não chegaram a ser captados pelo sistema de som, uma vez que foram feitos fora do microfone. Também não foram presenciados pela imprensa, pois o ex-presidente está na primeira fila da comissão, de frente para a cadeira do procurador-geral na bancada.

Mesmo diante das provocações, nas respostas a Collor, o chefe do Ministério Público se manteve firme e deu respostas técnicas à bateria de questionamentos sobre a sua gestão e comportamentos.

Janot, entretanto, aproveitou para dar uma indireta ao ex-presidente, que saiu do cargo após processo de impeachment: "Não há futuro viável se condescendermos com a corrupção". E finalizou dizendo que todos são iguais perante a lei.

Acordão

Também na sabatina, Janot negou “com veemência" acordo com governo e parlamentares para livrar alguns políticos e indiciar outros, como o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), em troca da recondução ao cargo.

"Ainda que eu quisesse fazer um acordo desse eu teria que combinar com os russos. São 20 colegas que trabalham nessa questão e mais um grupo de delegados muito preparados da Polícia Federal. Se eu quisesse fazer um acordão desses teria que combinar com os russos antes, para ver que isso é uma ilação impossível", ironizou.

Segundo o procurador, a Petrobras é alvo de "megaesquema" de corrupção. "Eu, com 31 anos de Ministério Público, jamais vi algo precedente. Esse megaesquema de corrupção chegou a roubar o nosso orgulho e é por isso que a gente investiga e investiga sério esse esquema", afirmou o procurador-geral em sabatina na CCJ no Senado.

(Com Estadão Conteúdo)

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