COMPORTAMENTO

'The Dandy Lion Project', a série fotográfica que derruba os estereótipos da moda para homens negros

21/08/2015 19:10 -03 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Reprodução

Para os homens negros, o mundo da moda tem sido muitas vezes forjado com estereótipos, preconceitos e imagens de camisetas GG, jeans largos e correntes chamativas.

Mas a série fotográfica “The Dandy Lion Project” pretende mudar tudo isso mostrando que a moda dos homens negros e, por associação, a masculinidade negra, é diversa e não apenas definida pelo tipo de imagens de homens negros que dominam os principais meios de comunicação.

O projeto é organizado por Shantrelle Lewis, nascida na Filadélfia, e que agora trabalha como curadora no bairro do Brooklyn, em Nova York. Lançado inicialmente para um espaço de arte pop-up no Harlem, em 2010, “Dandy Lion” tem sido exibida ao redor do mundo desde então. Sua exposição mais recente terminou em julho no Museu de Fotografia Contemporânea, em Chicago.

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Daniele Tamagni, “Sapeurs pose em frente ao Memorial Savorgnan de Brazz, Brazzaville.” 2008. Digital print, 25.9 x 35.8 in.

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Kia Chenelle, “The Waiting Man I.” 2013. Archival print, 8 x 10 in.

A série, intitulada “Dandy Lion: (Re)Articulating Black Masculine Identity” (Leão Dândi: (Re) Articulando a Identidade Masculina Negra), explora a ideia do “dândi negro”, que Lewis descreve como “um homem de ascendência africana que assimilou e aculturou a moda europeia em termos de estilo e costura eduardianos e tem uma estética africana”. A exposição mostra fotos de jovens urbanos de todas as partes do mundo vestidos no estilo “dândi”, tiradas por fotógrafos famosos e desconhecidos.

Mas o que é exatamente o estilo “dândi”? O visual é cuidadosamente elaborado e muitas vezes inclui um terno, ou um suéter vintage ou uma jaqueta esportiva e mistura aquele estilo do começo até meados do século 20 com a estética africana, que frequentemente explode com cores fortes, tecidos sofisticados e estampas extravagantes. Não é simplesmente, como o anúncio da exposição destacou, “uma imitação da sociedade erudita europeia”.

Embora o conceito “dândi” tenha surgido há centenas de anos — mais cuidadosamente documentado por Slaves to Fashion (Escravos da Moda), de Monica Miller —, o estilo “remixado” é especialmente próprio da “geração hip hop” de hoje, Lewis explicou.

“Definitivamente, vai contra a norma na indústria”, disse Lewis ao The Huffington Post. “É uma forma pela qual eles meticulosamente pegam e emprestam de diferentes culturas e que em geral conversa com a experiência de diáspora. É também parte da estética hip hop, emprestando e experimentando — é o que esses caras estão fazendo quando se vestem.”

A diretora executiva do Museu de Fotografia Contemporânea, Natasha Egan, também considera o tema atual — o que explica em parte por que trouxeram a série para Chicago.

“É um assunto sobre o qual as pessoas falam no mundo da arte contemporânea, esse tipo de representação dos homens negros urbanos, mas ainda não tínhamos visto um show como esse”, diz Egan. “É um ótimo casamento entre fotografia e moda, que também é muitas vezes sobre política e gênero.”

Embora prestar tanta atenção na aparência possa tachar alguns homens como femininos, Lewis destaca que o projeto também pretende desafiar esse estereótipo. As fotos retratam tanto homens heterossexuais quanto gays, segundo Lewis.

“Queria combater essas ideias estreitas e limitadas de masculinidade”, Lewis disse. “É animador ver homens que podem abraçar a feminilidade independentemente da sexualidade. Eu conscientemente escolhi imagens que mostram e respeitam o delicado equilíbrio entre masculinidade e feminilidade — um não domina o outro e operam em harmonia.”

Em um momento em que as imagens da mídia de homens negros continuam a reforçar estereótipos em vez de oferecer uma visão mais ampla das experiências afro-americanas, as exposições como a de Lewis servem a um propósito poderoso.

“Há algo a ser dito sobre como as imagens continuam a perpetuar a agressão e o medo de homens negros em nossa sociedade, imagens que estão intimamente relacionadas à imagem comercializada do bandido e do rapper, ao que ouvimos no rádio e ao que vemos em filmes e na TV”, disse Lewis. “É uma imagem fabricada. Penso que essas imagens estão sedo controladas e acredito que seja a hora de nós, coletivamente como uma sociedade de diversas raças e demografias, começarmos a realmente desmantelá-las.”

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Allison Janae Hamilton, “Tell me no tales.” 2013. Digital photograph, 30 x 45 in.

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Sara Shamsavari, “Randolph Matthews, London.” 2013. Digital C-print, 16 x 20 in.

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Rose Callahan, “Ike Ude In His Studio, New York City.” 2013. Digital C-print, 20 x 30 in.

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Daniele Tamagni, “Dixy, London.” 2009. Digital print, 25.9 x 35.8 in.

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Harness Hamese, “Give thanks to thoughtful hands — Bafana Mthembu and Andile Biyana of Khumbula.” 2013. Digital archival print, 20 x 24 in.

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Sara Shamsavari, “Odie Oputa, London.” 2013. Digital C-print, 16 x 20 in.

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Rose Callahan, “Barima Owusu-Nyantekyi at the King’s Head Club, London.” 2013. Digital C-print, 20 x 30 in.

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Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.