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Na mira da Lava Jato, Cunha é, por ora, poupado pelos colegas

19/08/2015 22:43 -03 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Montagem/Estadão Conteúdo

Alvo da Operação Lava Jato e cercado pelo boato de que será denunciado ao Supremo Tribunal Federal (STF) até sexta-feira, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), voltou a ser pressionado por alguns deputados a deixar o comando da Casa.

O pedido, encampado pelo PSol, entretanto, não deve seguir adiante - pelo menos por enquanto. De imediato, as principais lideranças políticas se agarram no argumento da presunção da inocência, contrariando o grupo que acredita que o melhor seria a renúncia de Cunha.

Presidente do PPS, Roberto Freire foi categórico em afirmar que o partido só tomará alguma posição se houver algo além da denúncia. “São quantos citados no processo? Mais de 100. Não podemos sair por aí punindo todo mundo”, argumentou.

A mesma linha de pensamento será adotada, inclusive, pelos que fazem oposição ao peemedebista. Nos bastidores, os deputados dizem que seria arriscado apoiar o afastamento de Cunha. Se o processo não seguir adiante, seria mais uma bomba para a presidente Dilma Rousseff lidar. O pensamento, porém, não é unificado.

No PSDB, há o temor de tirar do posto justamente o presidente que poderia dar encaminhamento a algum dos processos de impeachment protocolados contra a presidente. Partidos menores, do bloco do PMDB, também não falam em voltar contra o presidente da Casa. Há quem enfatize que o peemedebista é ‘rei’, que trouxe holofotes para a Câmara e deu espaço para todos.

Embora pareça sólido, o apoio ao presidente da Casa oscila. Os deputados falam abertamente em mudar de posição caso Cunha seja formalmente denunciado. A defesa vale para o fato de ele ainda ser investigado. Se o Supremo acata a denúncia, tudo pode mudar e os partidos que querem o afastamento dele ganham força para angariar mais votos.

Cunha é citado na delação do ex-consultor da Camargo Corrêa e Toyo Setal Julio Camargo. O delator disse que foi pressionado por Cunha a pagar US$ 10 milhões de propina, sendo que US$ 5 milhões foram pagos pessoalmente ao peemedebista.

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