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Projeto com robôs na Austrália atrai meninas para carreiras científicas

18/08/2015 21:31 -03 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Divulgação/Robogals

A professora de ciências Nicole Brown está acostumada à cara de interrogação que as suas jovens alunas fazem quando o assunto é uma carreira de engenheira.

“Elas acham que é coisa de homens que usam capacete de segurança em obras”, diz ela.

Governos, universidades e até mesmo empresas de cosméticos (pense na L’Oréal) vêm despejando dinheiro em programas que incentivam as mulheres a optar pelas chamadas carreiras de Ciências e Exatas (engenharia, matemática e tecnologia).

As abordagens são variadas, mas o conceito básico é o mesmo: as meninas precisam dar o primeiro passo quando são jovens.

Brown é presidente da Robogals (o nome é uma contração das palavras robô e meninas, em inglês), uma organização voluntária fundada em 2008 pela estudante de Melbourne Marita Cheng. O objetivo da Robogals é usar robôs para despertar o interesse das meninas pela ciência.

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Estudantes participam de um evento da Robogals na Universidade Monash

Cheng foi nomeada Jovem Australiana do Ano em 2012 e, embora tenha saído da Robogals para fundar sua própria empresa de robótica, a organização agora é global — está presente em 31 localidades de nove países e treinou 23 mil meninas no ano passado.

“Discutimos os obstáculos potenciais para mulheres [nas carreiras de Ciências e Exatas], e essencialmente o problema é de percepção”, diz Brown. A professora reflete:

“A ideia de ‘um cara de capacete de segurança que tem de ser super inteligente e bom de matemática’ não é necessariamente assim. A engenharia encampa várias coisas diferentes, não dá para definir só com essa imagem... Há uma compreensão prática muito maior do que fazem médicos ou advogados, por exemplo. A engenharia tem mil possibilidades, mas é um conceito amplo demais para ser descrito em poucas palavras.”

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Os workshops em Tóquio contam com a presença de meninos e meninas

Aí entram em cena os robôs. Voluntários de ambos os sexos, em geral estudantes afiliados à Robogals, visitam as alunas nas salas de aula e apresentam exemplos práticos de programação e treino dos robôs, para demonstrar como são variadas as aplicações das máquinas.

Embora as primeiras tentativas não costumem dar muito certo — os robôs batem na parede ou caem da mesa, Brown diz que o senso de realização e trabalho em equipe inspira as meninas:

“Trata-se da oportunidade de resolver problemas e trabalhar em equipe, num ambiente confortável. Esses são dois dos principais aspectos da engenharia. Ter contato com isso é uma experiência nova para a maioria dos participantes dos workshops... Uma de nossas histórias de sucesso aconteceu no Reino Unido. Uma menina participou de um dos nossos workshops quando estava no ensino médio. Ela entrou em contato conosco no ano passado, perguntando se podia abrir uma filial da Robogals na universidade onde está estudando engenharia.”

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Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost Austrália e traduzido do inglês.