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O que a prisão de uma jornalista brasileira diz sobre a crise no Equador

18/08/2015 13:40 -03 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02

Manuela Picq fica. No final da tarde desta segunda-feira (17), foi decidido que o visto da jornalista não será cassado. Ela, que vive no Equador desde 2004 foi, sem querer, protagonista de uma das maiores manifestações contra o governo de Rafael Correa.

A prisão da jornalista franco-brasileira e a possibilidade que ela fosse deportada do Equador fez com que o Brasil voltasse as atenções para a crise que (mais um) país sul-americano atravessa.

Picq e o marido, o advogado e ativista Carlos Pérez Guartambel, foram feridos e detidos durante violentos protestos contra o governo de Rafael Correa.


O grupo de manifestantes, composto principalmente por indígenas, sindicalistas e políticos, exige o arquivamento de um pacote de emendas constitucionais. Entre elas, uma permite que Correa seja candidato a um mandato de mais quatro anos nas eleições marcadas para 2017. O presidente está no poder desde 2007. Opositores do governo temem que, com a brecha legal, Correa se reeleja indefinidamente.

De acordo com a BBC, Correa já reconheceu que esta é a pior crise que ele enfrenta desde que assumiu a presidência.

Em um "coquetel pouco usual", como classificou a emissora RFI as reivindicações, entram também proteção do meio ambiente, reforma agrária e mais acesso às universidades.

A Confederação das Nacionalidades Indígenas do Equador (COINAIE), por sua vez, exige a revogação das leis que tiraram a entidade o poder de administração da água, terra e educação em seus territórios.

Na quinta-feira (13), dia do ápice dos protestos, Correa foi categórico ao afirmar que não iria negociar com os manifestantes, alegando que não poderia falar com dirigentes indígenas e sindicais que assumem "essas posturas", referindo-se ao bloqueio de estradas e aos conflitos com policiais.

De acordo com a rede HSB Noticias, 67 policiais ficaram feridos e 47 manifestantes foram presos.

Nesta segunda-feira (17), foi anunciado que Picq não será deportada. "Estou feliz. É uma vitória de todos os que participaram da defesa, tanto os advogados, a imprensa, os estudantes e o movimento indígena", comentou.

Mesmo depois da agressão de Picq, os protestos continuaram fortes no final de semana. Ao Itamaraty, foram dadas explicações vagas sobre a possível deportação da jornalista, classificada por ela como um "ato político".

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