NOTÍCIAS

José Serra diz que impeachment é improvável e aponta um preferido para concorrer à Prefeitura de SP

18/08/2015 11:59 -03 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Estadão Conteúdo/Fabio Motta

O senador José Serra (PSDB-SP) disse considerar pouco provável que a presidente Dilma Rousseff consiga concluir seu mandato como presidente da República até 2018. "Acho difícil", respondeu ao ser questionado no programa Roda Viva, da TV Cultura.

Ele avaliou ainda que qualquer saída para o afastamento da presidente seria traumática, mesmo a renúncia - que foi chamada hoje como uma hipótese que seria um "gesto de grandeza" pelo ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso nas redes sociais.

"Única saída não traumática seria a renúncia, mesmo assim seria traumático", emendou-se Serra. "A situação do Brasil é difícil. Repito, se a Dilma deixar o cargo, quem assumir vai comer o pão que o diabo amassou, o estrago atualmente é enorme."

Questionado se seu principal objetivo político é ser presidente, Serra negou. "Meu objetivo na vida é dar um futuro pro Brasil."

Serra admitiu não ver "comprovadamente" nenhum fato que justifique o impedimento da presidente.

"O País está o tempo inteiro falando no assunto (impeachment), o governo tem uma rejeição muito alta, cria um clima como se fosse a única questão nacional", disse. "Eu fui convidado, fui para encontrar as pessoas que vão pra rua essencialmente para protestar contra o governo", justificou sobre sua participação neste domingo de manifestações que tiveram como o mote o "Fora Dilma".

Economia

O senador criticou o ajuste fiscal conduzido pelo governo Dilma Rousseff e pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Ele classificou como "calamitosa" a política econômica do governo e disse que outros governantes buscariam outros caminhos hoje e no passado. "O ajuste do governo desajusta a economia", afirmou. O senador criticou o aumento do endividamento do governo e alta de juros de forma, segundo ele, mal calculada em um momento de economia fragilizada.

"O governo Dilma fez tanta bobagem que você não precisa colocar mais. Tem inflação de bobagens endógenas", afirmou Serra.

Serra evitou detalhar em que aspectos uma política econômica tucana seria diferente da do segundo mandato de Dilma, mas frisou a questão da confiança. "Tudo que é novo traz um crédito de confiança, que é decisivo."

Serra avaliou que se Aécio Neves tivesse sido eleito no ano passado, o quadro hoje ainda seria duro, mas com perspectiva melhor. "A gente cresceria esse ano? Provavelmente não, mas você acenaria com uma credibilidade para o longo prazo."

Serra também chamou de mentirosa a argumentação de setores do governo de que se implementou uma nova "matriz econômica", desenvolvimentista. "Nunca houve nova matriz, houve um desnorteamento. Isso só facilita o discurso, mas não é verdadeiro" O senador disse ainda ver com pessimismo as altas de impostos, com a tentativa de reonerar a folha de pagamentos, por exemplo. Disse avaliar que as empresas podem não resistir nesse momento de recessão.

Eleição municipal

O senador afirmou não estar diretamente envolvido no processo para as eleições municipais em São Paulo no ano que vem. "A intenção certamente é boa", apontou.

Perguntado sobre quem seria o melhor candidato, Serra demonstrou também afastamento e disse não ter preferidos, mas citou o vereador Andrea Matarazzo. "Me parece o mais preparado, o Andrea", afirmou rapidamente.

SIGA NOSSAS REDES SOCIAIS: