ENTRETENIMENTO

Bill Cosby fez piada sobre lei de ataques sexuais em livro de 1999

18/08/2015 19:59 -03 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
ASSOCIATED PRESS
Congressional Black Caucus Chairwomen Rep. Maxine Waters, D-Calif., laughs as Bill Cosby mugs for the camera during a ceremony on Capitol Hill Tuesday Jan. 7, 1997 where members of the caucus were sworn in. Cosby was a featured speaker during the ceremony. (AP Photo/Doug Mills)

Em 1999, Bill Cosby lançou um livro para universitários recém-formados, chamado Congratulations! Now What? . Apesar de o livro estar em circulação há 16 anos, alguns aspectos perturbadores ganharam novo significado à luz das acusações de abuso sexual que pesam sobre o comediante.

No livro, Cosby diz aos leitores que eles têm muita sorte por se formar, pois não têm mais de lidar com a “patrulha sexual do campus”. Num capítulo intitulado “No More Pre-Caressing Agreements” (o fim do acordo pré-carícias), Cosby descreve como tolice o fato de que homens tenham de obter permissão antes de manter relações sexuais com mulheres que consideram atraentes.

No capítulo, Cosby faz piada sobre o consentimento afirmativo – o padrão que substitui o “não significa não” pelo “só o sim significa sim” –, que seria irrealista em se tratando de sexo. Cosby fala de “manuais” que “falam das permissões de que os homens precisam” antes de dar em cima das mulheres.

Segundo Cosby, a “patrulha sexual do campus” está sempre “pronta para te acusar de assédio sexual se você encosta a mão em qualquer mulher além daquela que te pediu ajuda para atravessar a rua”.

Na época da publicação do livro, ataques sexuais em universidades não chamavam tanto a atenção como hoje. Algumas universidades não investigavam acusações de ataques sexuais. As que o faziam foram ridicularizadas por aceitar o consentimento afirmativo.

O Antioch College, que virou inspiração para uma esquete do Saturday Night Live, foi uma dessas escolas. Só em 2011 o Departamento de Educação dos Estados Unidos esclareceu que todas as universidade que recebem recursos federais têm a obrigação de investigar relatos de ataques sexuais entre os estudantes.

As ideias de Cosby parecem alinhadas com as críticas atuais contra o consentimento afirmativo. Mesmo hoje, 16 anos depois do lançamento do livro, colunistas conservadores insistem que o “sim significa sim” é muito difícil, confuso ou pode acabar com o clima.

No capítulo em questão, Cosby descreve uma situação hipotética, ao longo de quatro páginas, entre dois estudantes. A história é obviamente exagerada, para provar como é ridícula a ideia da permissão. O Huffington Post obteve uma cópia do livro e relata o cenário abaixo.

A cena se passa numa “rua arborizada de um campus”...

Associated Press

Dois estudantes estão num encontro romântico. Caminham lado a lado, um metro de distância entre eles, numa situação “típica” para universitários. A primeira fala é do rapaz, “declarando” para a garota: “Estou feliz que você tenha aceitado sair comigo, Louise”. Ela responde: “Ouvi violinos quando você preencheu o formulário das pré-preliminares”.

A garota então ri do rapaz, que disse que ela está linda sob a luz do luar:

Ela: Max, não quero que você tenha ficha corrida, então vou fingir que você não disse isso sem permissão. Tenho de mencionar a decisão da Suprema Corte no caso Ruddy x Estado do Kansas?

Ele: Desculpe. OK. Posso olhar para você?

A garota o adverte para não considerar a possibilidade de ela “estar ovulando”. Aí, ela afirma que está tentando interromper seu ciclo menstrual e sugere que ele tente se livrar da sua testosterona.

O rapaz olha de relance para a lua, e a garota “se agarra a sua cópia do Código Penal do Estado de Illinois”. Os dois discutem se dar as mãos é OK. Inicialmente, ela diz que está se guardando para segurar a mão do marido depois do casamento. Mas oferece as costas da mão.

Os dois não conseguem passar disso, porque os formulários corretos do departamento de assédio estavam esgotados. O rapaz diz que um contrato verbal pode funcionar, mas ela responde: “Você realmente acha que eu me envolveria em qualquer coisa oral? Isso é coisa de Sodoma e Gomorra”.

A cena acima encerra o capítulo sobre “o fim do acordo pré-carícias”, e Cosby passa para os temas da vida financeira e carreira.

No começo de agosto, um juiz determinou que Cosby terá de depor sob juramento num processo em que é acusado de abusar sexualmente de uma mulher na Mansão Playboy. Ela tinha 15 anos.

Tyler Kingkade colaborou com este artigo.

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Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.