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Agentes da CET denunciam ameaças em favor de 'metas de multas' em São Paulo (ÁUDIO)

18/08/2015 11:17 -03 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02

Agentes da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) de São Paulo denunciaram a existência de pressões e até ameaças para que mais multas sejam aplicadas e mais carros sejam guinchados na capital paulista. Os relatos foram repassados com exclusividade à Rádio SulAmérica Seguros Trânsito, que divulgou nos últimos dias as denúncias.

As orientações estariam partindo do superintendente da CET Jair de Souza Dias, conhecido como Jair Cavalo – apelido dado por conta da sua truculência, segundo os agentes ouvidos pela rádio. Com um salário de R$ 17.226,13, Dias está na CET paulistana desde 1986 e teria justificado que a ‘máfia das multas’ seria necessária para pagar um contrato de guincho.

Um agente ouvido pela reportagem, e que pediu para não ser identificado, assim definiu a orientação e as ameaças:

“Tivemos uma reunião com chefia, na qual ele deixou claro que 'tem que autuar e guinchar, vou estimular disputa entre as áreas'. Vou até usar as palavras dele: ‘a área que guinchar mais, que autuar mais, vai ter mais recursos, mais viatura, mais motos’, e deixou bem claro: ‘o contrato de guincho é milionário, solicitei ao Jilmar (Tatto, secretário municipal de Transportes), ao prefeito (Fernando Haddad), e a gente tem que autuar para pagar esse contrato aí’”.

O acordo de guinchos citado é de R$ 100 milhões, conforme apontou consulta pública divulgada no ano passado. Parte do teor dos contratos está disponível (aqui e aqui).

Segundo outro agente da CET ouvido pela rádio, “quem não ‘fizesse’ mais multa seria transferido e punido”. A forma de aumentar as autuações não seria ‘inventando multas’, mas sim alterando as interpretações acerca de possíveis irregularidades. Outra diretriz polêmica é uma datada de 4 de agosto, a qual orienta os ‘marronzinhos’ a se esconderem para realizar as autuações, uma conduta totalmente contrária ao próprio regimento da companhia.

Várias denúncias de motoristas chegaram, algumas bastante absurdas. Foi o caso de um motorista orientado por um agente da CET a ‘furar o sinal’ para dar passagem a um comboio da Polícia Militar, para em seguida ser multado pelo mesmo ‘marronzinho’. Em outra denúncia, um motorista foi multado por falar ao celular, apesar de ser surdo.

À mesma rádio, Jilmar Tatto – que também responde como diretor presidente da CET – negou a existência de metas de multas na companhia. De acordo com ele, jamais foi passada qualquer orientação para que os funcionários se escondam para aplicar mais multas, justificando que a única orientação é para que os agentes estejam atuantes. Tanto ele quanto a CET prometeram investigar o caso.

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