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Este amazonense contrariou os pais para fazer Moda e hoje representa a arte de fazer vitrines no Brasil

15/08/2015 02:41 -03 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Divulgação/Senai

Quais cursos você diria que são “mais femininos” ou “mais masculinos”? Bem, ao menos para o amazonense Maurício Duarte, não existem estes estereótipos.

Com apenas 20 anos, Duarte tem uma trajetória bem diferente da maioria dos jovens brasileiros: ele está acostumado a quebrar paradigmas.

Ele deixou a faculdade de educação física em busca de seus sonhos — que estavam escondidos atrás de máquinas de costuras e de croquis. Tal atitude o fez parar na maior competição de profissões técnicas do mundo, a WorldSkills 2015, que acontece até este sábado (15) em São Paulo.

Contrariando seus pais, que estavam orgulhosos pelo filho ter passado na Universidade Federal do Amazonas após se formar no Ensino Médio, Maurício decidiu trancar o curso depois de um ano e meio e iniciar um curso tecnólogo em Design de Moda no Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (Ciesa).

“Fiz tudo escondido porque sabia que meus pais não deixariam. Eu prestei vestibular e, quando passei, tive de contar aos meus pais. Minha mãe ficou um mês sem falar comigo. Ela não aceitava o fato de eu deixar uma universidade pública.”

Para pagar a faculdade particular, o manauara se inscreveu e foi aprovado no programa Bolsa Universidade, do governo do estado, que paga metade da mensalidade. A outra metade, Maurício pagava com a renda que ele conseguia vendendo camisetas personalizadas pintadas à mão.

“Eu passava madrugadas pintando camisetas para vendê-las durante o dia, e depois ia direto para a faculdade", conta. O negócio, chamado Du'arte Customizations, foi crescendo e ganhando espaços em feiras de artesanato.

Feira de Artesanato UFAM.

Posted by Du'arte Customizations on Monday, 8 April 2013


Além de trabalhar e estudar, Maurício ainda tirou tempo para fazer curso de costureiro industrial no Senai e, depois de alguns meses, foi convidado para representar o Amazonas na ocupação de Vitrinismo (estudo e montagem de vitrines de loja) na Olimpíada do Conhecimento de 2014 — etapa nacional e primordial para concorrer à mundial, que é a WorldSkills.

Com apenas três meses de treino, ele levou a medalha de ouro e agora representa o Brasil na mesma modalidade na competição internacional.

mauricio

Único menino competindo no Vitrinismo, ele não dá bola para isso. “Todos os cursos que fiz relacionados à moda, ou eu era o único menino ou havia mais dois colegas numa sala de 35 meninas. Estou acostumado.”

Ele diz que o preconceito existe, mas nunca o impediu de seguir sua trajetória.

"Preconceito até tem, mas eu escolhi, é isso que eu quero, a opinião das pessoas não importa.”

Maurício teve de trancar o curso em Manaus para se mudar para Belo Horizonte, em Minas Gerais, lugar propício para treinar para a competição. Apesar de tanto esforço para iniciar o curso, ele não sente que foi em vão. “Tive de trancar o curso e parar com minhas encomendas, mas isso é pequeno em comparação a tudo que vivi no último ano e aonde cheguei.”

mauricio

Após a competição, ele pretende voltar para Manaus, finalizar o curso de Design de Moda, expandir o negócio e, é claro, comemorar a conquista do ouro. “Sou o primeiro amazonense a competir na WorldSkills e já estou contando com essa medalha.”

Com a paz na família, Maurício se apega à mãe, que ficou em Manaus, para seguir com as etapas da competição. “Como minha mãe sempre me diz: é como se eu tivesse 30 anos, por tudo que eu já passei. Quero voltar pra Manaus como um profissional.”

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