MUNDO

Diala Brisly, a artista que encanta as crianças nos campos de refugiados na Síria

15/08/2015 22:25 -03 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Reprodução

Um pincel, tubos de tinta e enormes telas do tamanho de barracas. Não há quadros complexos ou deprimentes em paletas escuras. As obras de arte são simples; as pinturas retratam o sol, as nuvens e amplos céus abertos, preenchendo cada barraca com a mesma inocência das crianças sírias vivendo nos campos de refugiados na Líbia e na Turquia.

A artista síria Diala Brisly iniciou seu projeto de arte há mais de um ano. Com ele, foi capaz de encontrar um novo lar para as pinturas e desenhos nascidos em suas histórias em quadrinhos: as paredes dos campos de refugiados.

“Armada” com seu material de arte, Brisly busca espalhar felicidade nos campos. O projeto, originalmente concebido na cidade de Arsal, no Líbano, inspirou crianças a se expressar através da arte. Brisly disse que “as crianças receberam o projeto de braços abertos, porque com ele puderam ter um gostinho do lar que deixaram para trás e dos parques nos quais costumavam brincar”.

Em um dos campos de refugiados no Líbano, a artista criou uma pintura que é simples na composição, mas complexa no significado. Através dela, Brisly tentou capturar a vida dos refugiados sírios. “Essa pintura descreve um aeróstato em formato de balão que sobrevoa um país severamente desfigurado. Voar neste caso é um símbolo para a condição dos refugiados que se encontram sem identidade, que vivem em uma terra que não é a deles, e, independentemente do tempo que passam nos campos, tudo ao redor é surreal e temporário”, diz Brisly.

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Brisly é voluntária nos campos e não está buscando remuneração para suas obras. Lançou o projeto em sua página no Facebook, onde compartilha as pinturas. Acredita que “desenho e arte podem ter um grande impacto, mas o problema é que, em nossa cultura, a arte é considerada um mero luxo, mesmo tendo um papel significativo no apoio a causas importantes”.

Para Brisly, a barraca é uma tela ampliada com o poder de “criar novas memórias para os jovens refugiados e transcender as realidades miseráveis dos campos”.

“De outra forma, o campo é incolor”, disse. “As crianças não têm acesso à educação e são forçadas a realizar trabalhos extenuantes para sustentar suas famílias.”

Brisly segue uma regra: quanto mais simples os desenhos, mais acessíveis são às crianças. Quer criar pinturas que inspirem as crianças e que sejam fáceis de ser copiados ou adaptados por elas em seus próprios estilos individuais.

Ela até mesmo convidou um dos jovens refugiados para um de seus projetos de arte. “No campo Al-Sa'adah, no Líbano, as crianças participaram do projeto compartilhando ideias e criando rascunhos e desenhos, e eu então os pintava nas paredes e barracas.”

A artista está empenhada em transportar suas ideias para as barracas adaptadas em escolas para os jovens refugiados, numa tentativa de atrair as crianças para essas escolas improvisadas e motivá-las a estudar, apesar das dificuldades que enfrentam no dia a dia. Mas seus sonhos não são apoiados pelos pais.

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“Aos olhos dos adultos que moram nos campos, essa obra de arte é mera decoração. Ignoram completamente todas as outras dimensões deste projeto”, disse. “Os refugiados mais jovens têm uma reação totalmente diferente. A obra de arte exerce claramente um forte impacto neles. Em resumo, seus olhos brilham só em olhar as pinturas.”

Brisly não é a primeira artista a levar arte aos campos. O que diferencia seu trabalho, no entanto, são as cores brilhantes, que transpiram vida e felicidade. Isso contrasta com um projeto de arte no campo Al-Zaatari, que na sua visão é “esteticamente impressionante, mas foca nos aspectos negativos, angustiantes da vida nos campos”.

“Para mim, a arte é uma bonita experiência que oferece uma oportunidade de escapar da nuvem de miséria sob a qual os refugiados passam seus dias”, disse.

(Tradução: Simone Palma)

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost Arábia e traduzido para o inglês.

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