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As cinco razões para VOCÊ NÃO IR às manifestações deste domingo em todo o Brasil

14/08/2015 08:09 -03 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
André Dusek/Estadão Conteúdo

Enquanto milhares de pessoas devem tomar as ruas neste domingo (16) em todo o Brasil e em cidades do exterior, todas protestando contra o governo da presidente Dilma Rousseff e o partido dela, o PT, outros milhares devem permanecer em suas casas, sem abraçar a causa dos que estão insatisfeitos com a atual situação do País.

Não que quem não vá para a rua neste dia 16 de agosto esteja satisfeito: em geral, são os mesmos que não se sentiram à vontade de encampar os atos dos dias 15 de março e 12 de abril, mas que também não concordam com algumas das bandeiras e das figuras que estarão presentes mais uma vez nos protestos ‘Fora Dilma’ e ‘Fora PT’.

Se você não entende a razão que não leva uma porção substancial da população às ruas contra o governo, o Brasil Post te apresenta cinco razões que motivam aqueles que não vão aos protestos deste domingo.

  • ‘Golpismo’
    JOEL RODRIGUES/FRAME/ESTADÃO CONTEÚDO
    Quem não vai para a rua neste domingo, em parte, vê uma atitude ‘golpista’ naqueles que pregam o impeachment da presidente Dilma Rousseff “a qualquer custo”. Nesse grupo ‘anti-golpe’ estão inseridos não só aqueles que votaram pela reeleição da petista por mais quatro anos, mas também vários descontentes com o governo federal. O que une esses aglomerados é a necessidade de motivações jurídicas e constitucionais para que um processo de impeachment seja aberto contra a presidente da República. Como nem a Justiça Eleitoral impugnou a candidatura de Dilma nas eleições de 2014 por eventuais irregularidades, nem o Tribunal de Contas da União (TCU) sugeriu em parecer final a reprovação das contas da petista pelas ‘pedaladas fiscais’, não há lastro para a queda da mandatária. Para quem não aderiu aos atos, é preciso aguardar as investigações – incluindo aqui os desenlaces da Operação Lava Jato, que aponta o envolvimento de petistas, sem com isso respingar até aqui em Dilma.
  • Consciência histórica
    DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO CONTEÚDO
    A variedade de correntes e diferentes formas de pensar a República é um elemento considerável dos atos contra Dilma Rousseff e contra o PT. Dentre os que querem o impeachment aparecem correntes mais reacionárias, como aqueles que defendem uma intervenção militar. Quem viveu a ditadura militar, entre 1964 e 1985, sabe bem o tamanho do retrocesso histórico que tal tese representa, o que apresenta um bom argumento para não ir às ruas neste dia 16, mesmo entre parte dos insatisfeitos com Dilma. A consciência histórica não para por aí: o próprio processo de impeachment, como se sabe, é considerado bastante traumático, trazendo forte instabilidade política e econômica. Pouco vem se discutindo sobre “o que vem depois”, caso um pedido de impeachment venha a vingar nos próximos meses no Congresso Nacional. Assim, a ‘saída’ pedida pelas ruas pode se tornar um quadro agravado da atual crise.
  • Legitimidade
    Reprodução/Facebook
    Com mais de 54 milhões de votos, Dilma Rousseff venceu as eleições presidenciais de 2014, batendo o senador Aécio Neves (PSDB-MG) por uma margem de pouco mais de três milhões de votos. É esse o principal argumento de atual presidente para defender o seu novo mandato de quatro anos, refutando qualquer possibilidade de impeachment ou até de renúncia ao cargo que ocupa. Sem elementos postos neste momento para que ela deixe o poder, setores da oposição pregaram um cenário de ‘novas eleições’ para o País, já que pesquisas recentes mostrariam uma ‘crise de legitimidade’ de Dilma – a aprovação dela é a pior da história recente do Brasil. Para quem não vai aos atos, porém, a República não é pautada por pesquisas de satisfação, mas sim pela vontade popular demonstrada nas eleições.
  • Crise política
    DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO
    Embora apontados como grandes causadores de toda a crise política e, por consequência, pela crise econômica do Brasil, o PT e a presidente Dilma Rousseff não estão sozinhos. É essa a percepção de quem não vai para a rua protestar ao lado dos que querem a queda do governo. As crises que o País enfrenta podem ser relacionadas a outros atores, como o próprio empresariado (que tomou dinheiro no passado recente, mas em muitos casos não reinvestiu, preferindo repor perdas nas margens de lucro), até os ‘inimigos’ do governo no Congresso Nacional, como o presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) – este motivador das chamadas ‘pautas-bomba’ e protagonista em várias derrotas do governo Dilma no Legislativo federal. Além disso, a falta de uma reforma política de fato mostra que o quadro caótico não possui ‘mais de um pai’, respingando em personagens que não serão alvo da ira das manifestações.
  • Revolta seletiva
    WERTHER SANTANA/ESTADÃO CONTEÚDO
    Pronunciamentos na TV de Dilma Rousseff e do PT, nos últimos meses, vêm sendo acompanhados de ‘panelaços’, que são manifestações de descontentes com o atual governo brasileiro. Embora legítimos, tais protestos são direcionados justamente a dois protagonistas da política nacional, esquecendo assim outros envolvidos em polêmicas e nas crises que o País atravessa. A percepção, assim, é de uma ‘revolta seletiva’, que ao invés de compreender a situação ruim como sintomática de que algo não vem bem na política e na economia como um todo, acaba direcionando toda a sua raiva para quem está no poder, dando a ideia de que “sem o PT e sem Dilma, tudo entrará nos eixos”. Para quem não vai aos atos deste domingo, o buraco é bem mais embaixo e a discussão deveria ser ampliada.


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