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Pixuleco II: Ministério Público descobre novo modelo de corrupção dentro da Operação Lava Jato

13/08/2015 16:27 -03 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Montagem/iStock

O Ministério Público Federal acredita ter identificado um novo modelo de corrupção dentro do universo da Operação Lava Jato — a super-investigação que, inicialmente, mirava em doleiros, chegou a diretorias estratégicas da Petrobrás, depois, sucessivamente, em agências de publicidade contratadas por órgãos federais, passou para a Eletronuclear e, agora, bate no Ministério do Planejamento e Gestão.

"Estamos diante de um novo modelo [de corrupção]", declarou o procurador da República Roberson Henrique Pozzobon, que integra a força-tarefa da Lava Jato, ora em seu 18º capítulo, que identificou um desvio de cerca de R$ 52 milhões a partir de operações de empréstimos de consignados.

"[Na Lava Jato] Tivemos empresas de consultoria, desvios através de empresas de publicidade, propinas por empresas de fachada e, agora, aparecem aqui escritórios de advocacia. É uma frente a ser explorada", disse o procurador, referindo-se às quatro bancas de advocacia alvo da Pixuleco II.

Um dos escritórios, estabelecido em Curitiba, mantém ligações com o PT.

Questionado se os grupos criminosos estão se reinventando, o procurador foi taxativo: "O núcleo duro das fraudes gira em torno de meios e subterfúgios para justificar formalmente o trânsito dos valores das empresas [que distribuem propinas]".

Roberson Pozzobon faz um paralelo com as organizações do narcotráfico:

"Ao contrário dos traficantes de drogas, estamos diante de uma criminalidade empresarial. Ela é organizada por empresas que têm aparência de licitude e aí se encaixam diversas formas de lavagem de dinheiro, como por meio de contratos de consultoria ideologicamente falsos, na contratação de escritórios de advocacia sem causa, remessas de valores para o exterior em operações de câmbio sem o devido respaldo, transferências de valores a partir de supostas importações e exportações que, efetivamente, não ocorreram."

O procurador apontou para a 'miríade de fraudes' e a importância de o País apoiar o Ministério Público Federal para implantar o pacote de dez medidas contra a corrupção propostas por sua instituição — os procuradores da Lava Jato buscam 1,5 milhão de assinaturas para ingressar com o projeto no Congresso, a exemplo do que ocorreu na Lei da Ficha Limpa.

"A criminalidade organizada busca o aperfeiçoamento dos seus meios. Por isso, é importante a adoção de medidas concretas [de combate aos malfeitos]."

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