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12/08/2015 19:47 -03 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02

Como me infiltrei num grupo de orgulho branco no Facebook e o transformei em 'Sulistas LGBT admiradores de Michele Obama'

Reprodução/Facebook


É fácil entrar no Facebook Confederado. É só pegar uma matéria sobre um tiroteio envolvendo a polícia e ver os comentários. A maior parte deles está ligada aos perfis do Facebook das pessoas; então, é só achar alguém com uma bandeira confederada como avatar expressando opiniões racistas, clicar no perfil dela e selecionar "Adicionar aos Amigos".

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Imagem do "Facebook Confederado"

Todo mundo do Facebook Confederado parece aceitar pedidos de amizade de estranhos – acho que é a tal hospitalidade sulista. Aí suas recomendações de amigos do Face rapidamente vão se transformar numa lista infinita de gente com nomes como Prepper Jeff e Amanda Rebel. Você só precisa continuar clicando em "Adicionar aos Amigos", e logo sua linha do tempo vai se encher de babacas racistas e memes dos Looney Tunes putos com Al Sharpton.

Previsivelmente, muitas postagens no Facebook Confederado são amostras de orgulho à bandeira confederada: ela aparece em tatuagens, fotos de casamento, ladeada por caveiras azuis em chamas, pintada em caminhões etc. Mas você também pode achar pessoas pirando com a possibilidade de o Obama poder prender gente por postar coisas racistas no Facebook ou outras enraivecidas por serem chamadas de racistas.

Eu estava começando a me sentir entorpecido e angustiado; além disso, meus amigos começaram a reclamar que as recomendações deles também estavam ficando cheias de avatares com a bandeira confederada. Enquanto alguns facers confederados estavam felizes em me ter na sua linha do tempo — veja esta foto fofa de um cavalo fazendo uma reverência que um deles me mandou! —, outros, como o cara que me mandou "fugir e me juntar ao ISIS", não estavam.

Quando eu estava prestes a parar de seguir todo mundo e começar a beber, fui convidado para um grupo privado com umas 2.500 pessoas chamado "Orgulho confederado, herança, não ódio".

O grupo consistia do mesmo palavrório pentelho de Orgulho Sulista e Vidas Confederadas, temperado com um punhado de supremacistas brancos e neonazistas assumidos. Adicionei uma dezena de amigos meus, que passaram a trolar o grupo pacas.

Não preciso nem dizer que o pessoal que constrói sua identidade baseada numa causa traidora de 150 anos para manter seres humanos em correntes não manja muito de internet. O criador do grupo não fazia a menor ideia de como trancar a imagem de capa no topo da página; assim, meus amigos adicionaram as suas:

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Toda essa palhaçada era demais para o solitário administrador do grupo, que parecia não saber como impedir que a foto da capa fosse trocada ou banir os trolls, cujo número estava começando a rivalizar com o de rebeldes. Então, no melhor estilo A Doutrina do Choque, me ofereci para limpar essa crise fabricada. E o infeliz administrador mordeu a isca com chumbada e tudo.

Assim que fiquei no comando do grupo, decidi tomar uma direção diferente. A bandeira confederada tinha se tornado uma marca tóxica, e essa conversa de "o Sul vai se levantar de novo" com certeza assustava novos seguidores. Eu precisava fazer um rebranding. Depois de um teste rigoroso num grupo de foco, decidi alinhar o grupo aos direitos LGBT, à Michelle Obama, a judaísmo, à miscigenação e à vitoriosa ideologia Juche. E, assim, o grupo "Orgulho confederado, herança, não ódio" se tornou "Sulistas LGBT por Michelle Obama e o Judaísmo".

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