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Deputado ligado à Universal, Edson Praczyk ataca jornalista após ter bens bloqueados: "O que ela deu para conseguir isso?" (VÍDEO)

11/08/2015 12:37 -03 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02

Acusado de trocar benção de documentos por funcionários fantasmas, o deputado estadual Pastor Edson Praczyk (PRB) usou a tribuna da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) nesta segunda-feira (10) não só para se defender, mas também para atacar a imprensa e, mais precisamente, a jornalista Paola Manfroi, da RPC TV, afiliada da Rede Globo no Paraná.

O parlamentar demonstrou todo o seu descontentamento e machismo ao falar do bloqueio de R$ 308 mil de suas contas bancárias, seguindo uma determinação da Justiça a pedido do Ministério Público (MP-PR). Para Praczyk, é um absurdo a jornalista ter tido acesso a informações que nem mesmo ele tinha, o que o fez ‘levantar dúvidas’.

“O que essa jornalista 'deu' para conseguir essas informações privilegiadas? Como que conseguiu isso? Se nem eu sabia que tinham embargado, bloqueado minha conta bancária? Como pode?”, atacou o parlamentar (a partir do minuto 14). No restante do discurso, o deputado do PRB se defendeu das acusações, citando depoimentos colhidos pela polícia - ele postou alguns dos documentos em seu site oficial.

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná (Sindijor-PR) divulgou nota de repúdio às palavras do deputado, que configurariam “quebra de decoro”.

“O Sindijor-PR reitera que estudará medidas, inclusive judiciais, a serem tomadas contra o deputado. Também informa que encaminhará o caso à Presidência da Alep. Considera incoerente, ainda, o fato de o político seguir na presidência do Conselho de Ética da Casa, tendo inclusive já arquivado o pedido de abertura de processo de cassação contra o ex-presidente da Alep Nelson Justus (DEM), acusado de contratações irregulares e desvio de salários de servidores”.

O caso

O caso foi denunciado em maio pela RPC TV. Segundo a reportagem da emissora, o assessor e chefe de gabinete do deputado, Luiz Alberto de Lima, pediu os documentos da dona de casa Rosimere de Amorim para uma ‘noite de bençãos’. Pouco tempo depois, ela foi nomeada mais de uma vez por Praczyk e jamais apareceu para trabalhar na Alep.

Base da denúncia do MP-PR, a investigação da Polícia Federal apurou que, na primeira nomeação em 2001, a funcionária fantasma recebeu 11 salários de R$ 1,2 mil. Exonerada em 2002, ela voltou a ser nomeada em 2004, com ganhos de R$ 2,8 mil. Cinco meses depois, Rosimere foi exonerada. Uma terceira nomeação veio em 2005, agora com salários acima de R$ 2,8 mil. A dona de casa disse nunca ter ido trabalhar e desconhecer o deputado.

Conforme diz a denúncia do MP-PR, Praczyk e Lima teriam dividido entre si pouco mais de R$ 34 mil dos salários desviados. Os promotores ainda investigam o parlamentar pela contratação de outras funcionárias fantasmas, as quais seriam esposas de outros pastores da Igreja Universal do Reino de Deus, todas comissionadas e em cargos de confiança. Essas contas fantasmas seriam movimentadas livremente pela servidora Micheli Borges da Silva, que então faria os repasses ao deputado.

Em sua defesa na época, Praczyk atacou a imprensa (chamou de “narigudo” o jornalista da RPC-TV responsável pela denúncia) e negou qualquer irregularidade. Afirmou que Micheli nunca deixou de ir trabalhar (na verdade, a denúncia do MP-PR a cita apenas como ‘operadora’ dos repasses desviados) e que tudo se trata de uma campanha para denegrir a sua imagem.

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