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Debate entre taxistas e Uber na Câmara de SP termina em bate-boca, ameaças e sem consenso (VÍDEO)

11/08/2015 10:55 -03 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02

Era para ser um debate de ideias, mas quase se tornou um caso de polícia. A Câmara Municipal de São Paulo recebeu na noite desta segunda-feira (10) representantes dos taxistas e da Uber, aplicativo de caronas que já opera em cinco capitais brasileiras. A meta era debater o modelo de transporte individual na capital paulista, mas poucos foram os momentos de calma.

Idealizador do debate, o vereador Ricardo Young (PPS) é pessoalmente contra o aplicativo, mas disse acreditar, antes do encontro, que é preciso analisar mais profundamente a questão. “Da forma que está é uma concorrência desleal, mas temos que entender isso. Há hoje na cidade de SP uma demanda reprimida de 45 mil táxis (...). O alvará acabou se tornando um negócio”, pontuou.

Dos 90 presentes no encontro na Câmara, havia uma larga parcela favorável aos taxistas. Um dos mais exaltados era o vereador Adilson Amadeu (PTB), autor do projeto de lei 349/2014, que proíbe o uso de carros particulares cadastrados em aplicativos para transporte remunerado de pessoas. Em primeira votação, a proposta foi aprovada por larga maioria.

“Esse daí foi contratado para falar besteira. Esse cuequinha...”, disse Amadeu, ao ser questionado por um estudante que afirmou que “legalidade não é moralidade”. Em seguida, o jovem questionou “quanto os vereadores receberam do sindicato dos taxistas para votar contra a Uber no primeiro turno”. O vereador do PTB teve de ser contido, mas negou que tivesse a intenção de agredir o estudante, que acabou sendo escoltado para fora do encontro.

Esse não foi o único momento de tensão. Quando um dos representantes da Uber presentes, Daniel Mangabeira, começou a explicar o que é o aplicativo e qual são as suas intenções, os taxistas se manifestaram. Mangabeira afirmou que há espaço para os dois serviços de transporte e que a busca é pela regulamentação do serviço.

“A gente gostaria de trabalhar com a cidade, pela cidade e para a cidade”, explicou Mangabeira. Porém, nem mesmo esse posicionamento conciliar serviu para acalmar os taxistas, que nem entre si se entendiam.

“Nós somos favorável a todo o tipo de debate, desde que seja favorável à mobilidade urbana de São Paulo e ao modal táxi. É importante que os vereadores abram esse debate e vamos ver o que essa empresa norte-americana tem a nos oferecer e nos propor, e aí vamos ver se querem trabalhar conosco ou seguir na ilegalidade”, disse presidente do Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores nas empresas de Táxis do Estado de São Paulo (Simtetaxi), Antônio Raimundo Santos.

Já o presidente da cooperativa de táxi do Aeroporto Internacional de Guarulhos, Edmilson Salo, teve uma posição contrária a uma composição com a Uber. Para ele, o serviço e sua proposta são ilegais logo de saída. “Não basta pegar carro particular e sair fazendo transporte de passageiros e sair cobrando por isso. Eu não posso pegar um ônibus e sair fazendo transporte de passageiros, seja por aplicativo ou por telefone. Da mesma forma é o serviço de transporte individual de passageiros”.

Mais racionais estiveram o promotor Silvio Marques, representante do Ministério Público (MP-SP), e o especialista em engenharia de tráfico, Sergio Ejzenberg. Para o promotor, cabe ao município regulamentar o tema, embora a Promotoria esteja investigando as outorgas de alvarás para taxistas e para motoristas de aplicativos. Segundo Marques, a Prefeitura da capital descumpre o artigo 175 da Constituição, que trata do assunto. Ele citou ainda uma ação civil pública que deverá ser julgada em breve pelo Tribunal de Justiça (TJ-SP).

Ejzenberg, por outro lado, ressaltou que a Uber é apenas a primeira iniciativa de muitas que virão na área da mobilidade urbana. “Estamos vivendo uma economia compartilhada. Vai aumentar a demanda sinérgica de todos os prestadores de serviço”, comentou.

De acordo com Adilson Amadeu, a segunda votação do projeto que proíbe a Uber na cidade deve acontecer no dia 9 de setembro. Em declarações recentes, o prefeito Fernando Haddad (PT) e o seu secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto, já sinalizaram que são favoráveis à proibição de aplicativos que ofereçam serviços de carona na capital.

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