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10/08/2015 10:46 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02

Após demissões por telegrama, mais de cinco mil metalúrgicos entram em greve em fábrica da GM

Estadão Conteúdo

O complexo industrial da GM está com a produção totalmente paralisada. Cinco mil metalúrgicos cruzaram os braços após votação, na manhã desta segunda-feira, pela greve geral como alternativa para pressionar a empresa a rever as centenas de demissões feitas no último sábado.

Com a paralisação, os trabalhadores esperam que a montadora reverta os cortes e garanta estabilidade nos empregos.

No sábado, 8, a empresa enviou telegramas de dispensa a centenas de funcionários - o número não foi revelado, mas sindicalistas acreditam que passa de 200.

Hoje também está previsto o retorno ao trabalho de 750 funcionários que estavam em lay-off desde março. Eles têm estabilidade de emprego por três meses e não estão incluídos na lista de demissões. A unidade tem 5,2 mil trabalhadores.

No domingo, 9, cerca de 250 pessoas estiveram no sindicato, muitas delas demitidas, para uma reunião. Elas aprovaram o início de mobilizações pela reversão das demissões, estabilidade no emprego e abertura de negociação com a GM.

"Estamos perplexos com essa notícia na véspera do Dia dos Pais. É a segunda vez que a GM faz isso, já fez ano passado, nas festas de fim de ano, e agora novamente", comentou no sábado Antônio Ferreira de Barros, presidente do sindicato.

Em nota, a GM disse que "esgotou todas as alternativas para evitar demissões no Complexo Industrial de São José dos Campos, incluindo férias coletivas, lay-off, banco de horas e programas de desligamento voluntário." Diz ainda que essas medidas não foram suficientes diante da expressiva redução da demanda no mercado brasileiro, "que registra queda em torno de 30%" desde janeiro de 2014.

"Os desligamentos realizados têm como objetivo adequar o quadro da empresa à atual realidade do mercado, visando resgatar a competitividade e viabilidade do negócio", diz a nota.

Recentemente, a GM também demitiu cerca de 500 pessoas em São Caetano do Sul (SP).

Nova assembleia

Outra assembleia está marcada para a terça-feira, 11, com o objetivo de decidir o rumo da greve. "Não podemos admitir que a empresa faça isso com os trabalhadores, isso é um absurdo", comentou Antônio Ferreira de Barros, presidente sindical.

A GM não informou o número de demitidos e justificou que os desligamentos são reflexo do mercado, que registrou queda de aproximadamente 30% na venda de veículos nos últimos 20 meses.

A GM São José dos Campos que já chegou a ter mais de 8 mil funcionários, depois das demissões de sábado reduziu o quadro para menos de 5 mil. No complexo são produzidos os modelos S10 e Trailblazer, além de motores, transmissão e kits para exportação (CKD).

De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos, a entidade espera que a presidente Dilma Roussef (PT) faça uma intervenção contra as demissões na indústria automobilística.

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