COMPORTAMENTO

'Ser pai e garoto de programa mudou a maneira de enxergar a vida'

09/08/2015 08:38 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

vitral sexo

"Fico tentando sair o mais rápido possível dessa vida para seguir numa vida mais leve. Mas ser pai me dá vantagens. Posso dizer que os clientes me respeitam mais por conta disso."

O depoimento a seguir foi editado a partir de conversas com Alan Souza, 33. O garoto de programa atende em Salvador (BA) e não vê problema algum em falar sobre seu trabalho. Também aceita convites para viagens com casais, homens ou mulheres.

"Minhas filhas moram no interior da Bahia. Vou sempre buscá-las para passarem as férias comigo em Salvador. É aqui onde que atendo normalmente. Mas também viajo, caso os clientes quiserem.

Minha filha mais velha tem 15 anos e é linda! A mais nova tem 14 anos e é linda! Elas são L-I-N-D-A-S, me entende?

Dizer que sou pai não é meu primeiro assunto com os clientes. Não acredito que seja isso que eles queiram saber. Mas quando acontece de escutá-los reclamando sobre seus filhos, aí assumo a paternidade. Digo que entendo, que também sou pai.

E quer saber? Quando digo que sou pai de adolescentes, muitos ficam atônitos: "Mas você já tem filha de quinze anos?!" Sim, tenho. Duas, aliás.

Sinto falta de mais contato físico com as minhas filhas. E sofro muito por conta disso. Minha vida faz a distância ficar ainda maior. Mas sei que isso não é desculpa. Hoje, consigo ver minhas filhas duas vezes por ano. Mas quando estou com elas, faço tudo. Toco violão. Levo e leio livros com elas.

Elas são ótimas de papo. Temos sempre uma conversa amigável e procuro entender a fase que elas estão passando. Mas ver que elas têm uma queda por esse ou aquele artista, quando dizem que fulano ou sicrano é bonito... Isso me dá ciúme!

Gostaria de minhas filhas se lembrassem do pai delas como uma pessoa que não tem religião, mas que nunca perdeu a fé. Nem si próprio nem no amor dos seres humanos. Queria que elas pensassem que o papai olha para um morador de rua e sente amor por ele e por todas as pessoas.

Ainda não falei com elas sobre o meu trabalho, mas está perto. Depois que gravar o curta que conta a minha história no final deste ano, vou conversar direitinho com as duas.

Mas elas têm a cabeça aberta. Vai ser tranquilo.

E, se der tudo certo, até meu aniversário, em abril de 2016, já terei deixado a prostituição para trás. E vai sobrar mais tempo para ser mais pai."

alan souza

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