COMPORTAMENTO

O que aprender com os pais que trabalham na indústria da maconha legalizada dos EUA

09/08/2015 09:13 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02

Todd Mitchem, 44, é o cara por trás do High There!, o aplicativo dos descoladinhos dos Estados Unidos , que acabou popularizado como o Tinder dos maconheiros. Você bem sabe. A legalização da maconha em mais da metade dos estados americanos abriu um mercado enorme de negócios que tem feito muita gente ganhar até os tubos. Plantadores, governos (arrecadação generosa com impostos) e até desenvolvedores de apps — caso de Todd. Para além de suas funções de CEO, dos negócios, entrevistas, aparições aqui e acolá, ele é pai também.

todd

O empresário do Colorado faz questão de não deixar nada para trás. Se é assim que ele decidiu ganhar a vida, nada mais justo que os filhos estarem por dentro de como o pai ganha a vida, certo? “Meus filhos sabem de tudo”, contou à AP.

Meu filho de 11 anos é o professor do playground. Meus filhos sabem provavelmente mais de cannabis que a maioria dos adultos que não estão nos negócios. Nós conversamos sobre as notícias. Nós conversamos sobre ciência.”

Como todo pai que mereça assim ser reconhecido, Todd sabe que boa parte do seu trabalho reside em impor certos limites aos rebentos. Ele, claro, faz a sua parte. Fumar perto dos filhos é uma coisa que ele não indica para ninguém e também não faz de forma nenhuma.

Manter as crianças informadas inclui a parte de deixá-las bem longe da maconha. “Eles estão avisados de que há brownies de maconha na geladeira e que eles não têm permissão para tocar neles", adverte.

Bruce Barcott tem 49 anos e uma invejável carreira no jornalismo. Como especialista nas questões ambientais, Bruce já assinou capas para The New York Magazine, National Geographic, Harper’s Magazine e Sports Illustrated. Ele está para lançar um novo livro, Weed People (“Povo da Erva”, em tradução livre. O título é um trocadilho com o famoso “We the People”, a frase daConstituição americana).

O jornalista mora em Seattle, no estado de Washington, um dos poucos que já legalizou inclusive o consumo recreativo da droga. Mas assim como Todd, Bruce também mantém o filho de 13 anos e a filha de 16 distantes do seu vício. Sua grande preocupação está em informá-los da maneira mais honesta possível, quebrando os estigmas que forem possíveis, mas sem qualquer direcionamento para fumar maconha.

Dentro do carro, no caminho para escola, ou no jantar, o que as crianças querem saber é respondido com responsabilidade. "Olha, esta é uma planta de maconha. Ela tem sido demonizada por 75 anos. Este é o lugar de onde a maconha vem. É apenas uma planta, para olhar, cheirar, tocar, sentir."

Brandon Krenzler é outro jornalista que trabalha diretamente com a cobertura da legalização da droga. Diferentemente de Bruce, ele escreve para publicações segmentadas para usuários e interessados no assunto: Dope Magazine, Skunk Magazine e Cannabis Now Magazine. Além disso tudo, ele também ainda encontra tempo para o blog Cannadad.

No caso específico de Brandon, a relação com a cannabis tem ligação direta com sua filhinha MyKayla Comstock, que fez uso de óleo de CBD durante o tratamento de um tipo raro de leucemia que enfrentou entre 2012 e 2013. Nesse trajeto, Brandon se tornou um fervoroso defensor do uso da maconha medicinal. "A MyKayla não fuma maconha como nós [Brandon e sua esposa]. Ela toma em diversas outras formas."


Com a exposição que ganhou com a história de sua filha, Brandon decidiu abrir espaço para outras famílias que sofrem com problemas semelhantes e não podem falar abertamente da maconha nem dos tratamentos possíveis com componentes da planta. "O Parents4Pot não é um grupo. É uma ideia. É uma ideia que mora dentro de todos nós."

Brandon quer dar voz e espaço para aqueles que ainda não chegaram lá.

"Nós, como pais, tivemos a sorte de viver no Oregon quando escolhemos tratar a Mykayla com o óleo de cannabis. Devemos parar de chamar este país de Estados Unidos, já que nossos estados não estão realmente unidos. Vivemos em pequenos países separados dentro de um grande mapa. Quando se trata da maconha, isso depende de onde você vive."

Um coisa, no entanto, une esses pais: o desejo tentar criar os filhos com mais liberdade nas relações, mais franqueza e sem hipocrisia.

SIGA NOSSAS REDES SOCIAIS:


7 pais famosos que não escondem o apreço pela maconha