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08/08/2015 20:44 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02

Brasileiro que descobriu 1ª perereca peçonhenta sentiu dor por 5 horas

Carlos Jared/Instituto Butantan

Todo pesquisador faz sacrifícios pessoais em nome da ciência. Mas alguns sacrifícios são maiores que outros.

Carlos Jared, cientista do instituto Butantan, fazia um trabalho de campo no Rio Grande do Norte quando pegou nas mãos uma perereca já conhecido pela ciência desde 1896, a Corythomantis greeningi.

Na hora, o anfíbio perfurou sua mão com espinhos que lhe causaram uma dor torturante no braço, que demorou cinco horas para passar. Jared acabava de descobrir, da pior forma possível, que a Corythomantis greeningi era a primeira perereca peçonhenta de que se tem notícia na ciência.

Existem vários registros de sapos, rãs e pererecas que secretam veneno, mas não se conhecia nenhuma variedade peçonhenta, ou seja, capaz de injetar veneno "de propósito" na pele de um inimigo.

Ao analisar mais atentamente a Corythomantis greeningi, a equipe de Jared encontrou glândulas de veneno na pele do animal, cujos lábios superiores são apinhados de pequenos espinhos.

corythomantis greeningi

A estrutura óssea do Corythomantis greeningi

Quando o anuro se sente ameaçado, impregna os espinhos com muco tóxico. E aí... VRÁÁÁ. É hora de dar uma cabeçada tóxica na vítima.

O mesmo mecanismo peçonhento foi encontrado em outra perereca, achada no Espírito Santo, a Aparasphenodon brunoi. Esta era ainda mais venenosa do que a primeira, mas Jared já estava prevenido e não meteu a mão no animal.

aparasphenodon brunoi

Cuidado comigo, colega

A descoberta explica por que não há predadores para a Corythomantis greeningi.

Como descreve o artigo de Jared e sua equipe de colaboradores, na Current Biology, um grama do veneno da Corythomantis greeningi é capaz de matar oitenta humanos. Isso quer dizer que ela é duas vezes mais potente que o veneno de uma jararaca.

Felizmente, a quantidade de veneno que a perereca é capaz de carregar nos espinhos é minúscula. Uma cabeçada do bichano não deve injetar mais do que um centésimo de grama na pele, como pondera artigo da revista Discover.

Ou seja: matar, não mata. Mas dói, ô se dói.

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