COMPORTAMENTO

Richard Dawkins diz que Islã precisa de uma 'Revolução Feminista'

07/08/2015 18:10 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02
Don Arnold via Getty Images
SYDNEY, AUSTRALIA - DECEMBER 04: Richard Dawkins, founder of the Richard Dawkins Foundation for Reason and Science,promotes his new book at the Seymour Centre on December 4, 2014 in Sydney, Australia. Richard Dawkins is well known for his criticism of intelligent design. (Photo by Don Arnold/Getty Images)

Esta semana, o escritor ateu Richard Dawkins, conhecido por não ter papas na língua, levou para o Twitter suas preocupações sobre as condições das mulheres no Islã. Nem precisamos dizer que o seu conselho gratuito a uma religião de 1,6 bilhão de adeptos não caiu muito bem.

"O islã precisa de uma revolução feminista. Será difícil. O que podemos fazer para ajudar?"

"A mudança deve vir de dentro da nossa sociedade muçulmana", respondeu Yasmin Choudry, filantropa britânica, no Twitter.

Outros questionaram Dawkins pois interpretaram que ele disse com tom paternalista. Hind Makki, uma blogueira muçulmana bem conhecida, disse ao The Huffington Post que as muçulmanas "já passaram por isso antes".

"Quando a Europa começou a colonizar as terras muçulmanas na virada do século 20, o homem branco europeu nos disse que ao desmantelar o nosso sistema religioso, econômico, cultural e político era para o nosso próprio bem - que nós muçulmanas precisávamos ser salvas dos muçulmanos pelos homens europeus cristãos".

A resposta de Makki para tal oferta? "Não, obrigada", disse ela.

A ativista muçulmana Linda Sarsour disse que estava "cansada de comentários vindos de não-muçulmanos sobre o que é ou não é o Islã". E acrescentou: "Como mulher muçulmana que sou, digo com propriedade que o Islã é uma religião feminista que me informa meu papel e minha posição no que se refere aos direitos das mulheres. Eu sou feminista porque sou muçulmana".

"Podemos começar explicando que ninguém quer sua ajuda"

"Quem é "nós”? Você fala por todas as muçulmanas? E por que você (sing.) não quer ajuda?"

"Mesmo não sendo uma mulher muçulmana você acha que nos entende mais do que nós mesmas?"

Dawkins manteve a posição do seu tuíte anterior e escreveu:

A ideia que mulher descoberta convida ao assédio degrada mulheres & insulta homens. Elas devem usar qualquer coisa e não serem molestadas.

Embora o sentimento expressado por Dawkins na quinta-feira no Twitter tenha sido bem-intencionado, seu argumento ignora o fato de que muitas mulheres muçulmanas escolhem usar o hijab e outras vestimentas para cobrir seus corpos – e elas se sentem empoderadas assim.

E como mencionou Sarsour, um número enorme de homens e mulheres muçulmanos já estão trabalhando pelos direitos das mulheres e por desafiar os estereótipos que, muitas vezes, são perpetuados na mídia.

Dawkins apontou o casamento de crianças, a mutilação genital feminina, e outras atrocidades em alguns países, como evidência do preconceito inerente do Islã contra as mulheres.

Talvez ele precise dar uma revisada na explicação de Reza Aslan que cita por que é problemático fazer generalizações sobre o "mundo muçulmano":

O direito das mulheres é uma questão que governos, instituições religiosas e comunidades no mundo todo devem encarar e certamente há um longo caminho pela frente. Mas ao apontar o dedo para uma religião Dawkins parece sugerir que o resto do mundo já conseguiu resolver os problemas de desigualdade – o que, de fato, ainda não aconteceu.

Qasim Rashid, notável autor e advogado muçulmano, ofereceu um conselho a Dawkins, ao tuitar:

"Ei @RichardDawkins é assim que você consegue “ajudar”, ficando quieto & ouvindo."

(TRADUÇÃO: SIMONE PALMA)

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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