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Preço de energia, telefonia, gasolina e gás em 2015 pode subir mais, diz BC

06/08/2015 10:29 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02
Reprodução

O Banco Central revisou mais uma vez para cima sua projeção para os preços administrados de 2015, conforme a ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta quinta-feira, 6.

Para a autoridade monetária, esse conjunto de itens apresentará elevação de 14,8% este ano, e não mais de 12,7% como constava na edição anterior. No documento de abril, a previsão era de 11,8% e, no de março, de 10,7%.

Para 2016, a diretoria prevê agora uma taxa de 5,7% ante 5,3% de abril e junho e de 5,2% de março. Estas previsões ajudaram a formar a base para que o colegiado ampliasse na semana passada a taxa básica de juros (Selic) de 13,75% para 14,25% ao ano.

Apesar dos sucessivos aumentos, o parâmetro do BC ainda está em um patamar mais baixo do que a expectativa de analistas do mercado financeiro. No Relatório de Mercado Focus da última segunda-feira, 3, a mediana das projeções para os preços administrados estava em 15,12% para este ano e em 6% para o próximo.

A ata de hoje revela que, para estimar a elevação desses itens, o BC considerou uma alta de 50,9% da tarifa de energia elétrica este ano. Na edição de junho, a previsão era de 41%. No caso de telefonia fixa, a autoridade monetária prevê agora uma queda de 3,0% ante baixa de 4,4% da ata anterior.

A diretoria também levou em conta a hipótese de elevação de 9,2% do preço da gasolina (antes estava em 9,1%) e de alta de 4,6% do preço do botijão de gás, substituindo a taxa de 3%.

A previsão para a inflação de 2016 ficou estável no cenário de referência e segue acima do centro da meta de 4,5% que o BC promete entregar no fim do ano que vem. No caso do cenário de mercado, a projeção da autoridade monetária também mostrou estabilidade e segue acima do centro da meta.

A meta é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e está em 4,5% para este ano e também para 2016 e 2017, sendo que nesse ano, a margem de tolerância será reduzida de 2 pontos porcentuais (pp) para cima ou para baixo para 1,5 pp.

No Relatório Trimestral de Inflação (RTI) mais recente, divulgado em junho, a estimativa do BC para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do ano que vem estava em 4,8% no cenário de referência e em 5,1% no de mercado. A atualização do RTI será feita no mês que vem.

Na próxima semana, o diretor de Política Econômica, Luiz Awazu Pereira da Silva, se encontrará com analistas do setor privado do Rio de Janeiro e de São Paulo para obter mais percepções para a confecção do documento.

Nesse mesmo documento de junho, o BC informou que a chance de estouro da meta do ano que vem era de 15%. No Relatório de Mercado Focus da última segunda-feira, a mediana das estimativas dos analistas para o IPCA de 2016 permaneceu em 5,40%.

A ata de hoje ressalta que o cenário de referência leva em conta manutenção da taxa de câmbio em R$ 3,25 e Selic em 13,75% ao ano "durante todo o horizonte relevante". No documento anterior, o BC trabalhava com a cotação do dólar em R$ 3,15.

Já o cenário de mercado considera estimativas para câmbio e juros de analistas de mercado às vésperas do encontro da diretoria para definir o rumo da Selic.

Câmbio

O BC informou ter mudado sua premissa para o câmbio de R$ 3,15 para R$ 3,25 pelo cenário de referência. O valor considerado para o dólar está abaixo do negociado no dia em que o colegiado decidiu subir a Selic de 13,75% ao ano para 14,25%. Na quarta-feira passada, 5, o dólar à vista fechou em R$ 3,3300.

O valor de taxa de câmbio utilizado na ata é mais elevado do que a cotação de R$ 3,10 considerada no Relatório Trimestral de Inflação de junho.

Apesar desse ajuste feito pelo BC, a premissa usada na data do Copom já está desatualizada, já que ontem a moeda americana terminou o dia cotada a R$ 3,489. Para os juros, o colegiado considerou a taxa de,13,75% ao ano.

O realinhamento dos preços domésticos em relação aos internacionais - via alta do dólar - vem sendo apontado pelo BC como um dos principais fatores de pressão para a inflação no curto prazo ao lado do ajuste de preços administrados ou monitorados pelo governo.

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