COMPORTAMENTO
06/08/2015 20:55 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Homens veem mulheres poderosas como ameaça a sua masculinidade, diz estudo

Bloomberg via Getty Images
Marissa Mayer, president and chief executive officer at Yahoo! Inc., speaks during the 2015 Bloomberg Technology Conference in San Francisco, California, U.S., on Tuesday, June 16, 2015. Mayer said that the company's spinoff of its stake in Alibaba Group Holding Ltd. is proceeding as planned. Photographer: David Paul Morris/Bloomberg via Getty Images

Estudos acadêmicos podem ser fascinantes... e muito difíceis de entender. Decidimos tirar todo o jargão científico e explicá-los para você.

O pano de fundo

Mais e mais mulheres seguem o conselho de Sheryl Sandberg: fazer acontecer. Ao mesmo tempo, cada vez mais homens têm de se reportar a chefes mulheres. É algo que muitos deles têm dificuldade de aceitar, segundo pesquisas. Mas, se as mulheres forem chefes tão -- ou mais – competentes que os homens, por que eles preferem ter outros homens como chefes? E por que as chefas têm um viés tão negativo? Um estudo recente oferece uma resposta interessante.

A preparação

A pesquisa foi composta por três pequenos estudos, que investigaram como os homens reagem às mulheres no poder. No primeiro deles, 76 homens e mulheres tiveram de negociar seus salários com um novo empregador, por meio de mensagens de computador. Os participantes foram divididos em dois grupos. Um deles negociou com uma mulher (Sarah), e o outro, com um homem (David). A oferta inicial era um salário anual de 28 500 dólares, mas os participantes poderiam fazer até cinco contra-ofertas. Depois, eles responderam a um questionário para determinar quão intimidados se sentiram por David ou Sarah.

No final, os homens que negociaram com Sarah se sentiram mais intimidados que os que lidaram com David – e responderam com contra-ofertas mais assertivas. Já as mulheres não associaram o gênero do entrevistador à propensão de se sentirem intimidadas ou de fazer contra-ofertas.

No segundo estudo, 68 homens tinham de imaginar que trabalhavam no departamento de marketing de uma empresa. Eles receberiam um bônus de 10 000 dólares, a ser dividido com um colega. O dinheiro seria dividido com uma mulher da equipe, um homem da equipe, uma mulher líder de equipe ou um homem líder de equipe. Depois de ler seus respectivos cenários, os participantes responderam o mesmo questionário sobre intimidação. Eles tinham de indicar quanto dos 10 000 dólares eles mereciam, em comparação com seu colega.

No terceiro estudo, 370 homens e mulheres receberam as mesmas instruções do segundo estudo, com uma diferença: todos tinham um líder de equipe, e ele (ou ela) eram ambiciosos (“determinados/as a avançar na carreira, chegar ao topo, incansáveis”) ou administrativos (“[ele ou ela] são gerentes de projeto eficientes e concluem projetos importantes para o funcionamento e para a eficiência da empresa”).

Os resultados

Nos três estudos, os homens se sentiram mais ameaçados por uma supervisora mulher e responderam de forma mais assertiva. O segundo estudo mostrou que homens que tinham uma mulher como chefe se sentiam mais ameaçados e só ofereceram cerca de metade do bônus de 10 000 dólares, enquanto os que tinham chefes homens ofereciam uma parte maior do bônus. Ou seja: a mulher no poder levava os homens a ser mais agressivos na hora de decidir quanto dinheiro receberiam.

As coisas ficaram ainda mais interessantes no terceiro estudo. Quando as chefes mulheres foram descritas como administrativas e concentradas na equipe – em vez de ambiciosas e focadas no avanço de suas carreiras ¬¬--, os homens se sentiram menos ameaçados e, portanto, foram menos gananciosos na hora de dividir o bônus. Juntos, os três estudos mostram que os homens se sentem ameaçados por mulheres no poder e respondem a isso sendo mais assertivos. Segundo os pesquisadores, esse padrão de comportamento é comum entre homens que tentam proteger sua masculinidade.

A conclusão

Brincando com status e gêneros, os pesquisadores conseguiram demonstrar que, sozinho, o status não é suficiente para fazer os homens se sentirem ameaçados – o que ameaça sua masculinidade é a soma de gênero e status. Isso é claramente um problema para muitas mulheres talentosas e determinadas que tentam ultrapassar o “teto de vidro” – ou simplesmente ganhar a vida.

A solução para as mulheres é fingir que não são ambiciosas, portanto? Concentrar-se na equipe e não em si mesmas? Não. Que esses resultados sirvam como estímulo para que elas deem ainda mais duro diante da agressividade. No fim das contas, se os homens estão realmente questionando sua masculinidade porque se reportam a uma mulher, quem são os fracos da história?

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Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.