COMPORTAMENTO

Esqueça o 'Magic Mike'. Os strippers da vida real tiram a roupa por causa da autoestima

06/08/2015 22:55 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02
Reprodução

Com a febre de Magic Mike espalhada pelo mundo, um novo estudo revela que a realidade de alguns homens strippers é muito diferente da vida do personagem interpretado por Channing Tatum.

Enquanto o fictício Mike começa a fazer strip-tease porque precisa de dinheiro, um estudo da Universidade de Colorado, em Denver, Estados Unidos, mostrou que os dançarinos seguem tirando a roupa porque isso aumenta sua autoconfiança.

Na contramão, muitas mulheres strippers experimentam uma sensação de baixa autoestima quando se apresentam, mas continuam fazendo porque precisam de dinheiro.

Channing Tatum no papel de Magic Mike

A socióloga Maren Scull, que coordenou o estudo, passou quase dois anos entrevistando e observando homens strippers que dançam para mulheres em um clube de strip-tease americano para chegar às suas conclusões. Dos homens entrevistados, poucos ganhavam mais do que US$ 100 por turno (cerca de R$ 340) — muito menos do que as dançarinas que trabalham no mesmo clube.

male stripper

Mas Scull constatou que os homens continuavam a fazer strip-tease porque isso os fazia se sentir desejados e com uma boa impressão de si mesmos.

“Inicialmente, as mulheres que dançam para os homens podem experimentar um aumento da autoestima, mas depois de um tempo elas sofrem com um baixo autoconceito”, disse Scull.

“Minha pesquisa revela que os homens que dançam para mulheres geralmente experimentam sentimentos positivos de autoestima. Tanto é que os homens continuarão fazendo strip-tease mesmo quando não for mais financeiramente lucrativo.”

Scull sugere que homens e mulheres têm visões e experiências diferentes sobre o strip-tease, porque veem a objetificação de forma diferente.

As dançarinas têm uma maior tendência em definir a objetificação como negativa, porque, como mulheres, vivenciam isso mais frequentemente do que os homens.

“Como o strip-tease é uma ocupação estigmatizante, tem a capacidade de afetar negativamente as autodefinições de dançarinos exóticos”, acrescentou.

Vale a pena destacar que a pesquisa de Scull é totalmente baseada em informações coletadas em apenas um clube de strip-tease, por isso suas conclusões podem não se aplicar a todos os strippers.

Em seu blog, o stripper Dion havia dito, antes da pesquisa ser divulgada, que é impossível calcular quanto os strippers ganham, como foi o caso de Scull, porque “a maioria do dinheiro vem por debaixo da mesa”, ou seja, os strippers não costumam revelar seu salário total.

“O strip-tease é um trabalho de vendas, baseado em performance e números. Alguns de nós somos melhores do que outros. Os que entendem de vendas, marketing e atendimento ao cliente têm uma óbvia vantagem”, Dion acrescentou.

“Dois strippers não trabalham a mesma quantidade de horas. Alguns dançarinos têm empregos fixos e apenas fazem strip-tease como um complemento, recusando muitas oportunidades que causam conflitos de agenda. Outros tiram a roupa como sua única fonte de renda, por isso aceitam qualquer bico.”

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost UK e traduzido do inglês.

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