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Acuada, Dilma pede apoio a ministros e apela ao Senado

06/08/2015 23:39 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02
Montagem/Estadão Conteúdo

Acuada com a pressão pelo impeachment, fundamentada na crise política e econômica, a presidente Dilma Rousseff pediu apoio aos ministros e apelou ao Senado por sustentação.

Sem apoio da Câmara, o Planalto acredita que uma maior participação do Senado pode ajudar a reverter ou, pelo menos, minimizar o quadro de crise.

Uma das expectativas é que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), ajude a barrar o início do pedido de impeachment, com a avaliação das contas do governo de 2014. Se rejeitadas, elas podem embasar um pedido de impedimento da mandatária.

Em outra frente, o governo aposta na articulação dos ministros. Nesta quinta-feira (6), Dilma convocou os ministros do PT mais próximos para cobrar envolvimento maior na articulação política do governo e para exigir que esses auxiliares "deem o exemplo”.

O recado, de acordo com um dos presentes na reunião, foi claro: "Ou os ministros se envolvem ou ficará ainda mais difícil”.

A presidente relatou aos ministros petistas as reclamações de parlamentares de que eles não têm recebido para audiências "nem os parlamentares das suas bancadas", o que acaba deixando tudo para o articulador político do Planalto, o vice-presidente Michel Temer.

Na avaliação do governo, as declarações em tom "visivelmente emocionado" de Temer na véspera refletiram sua "preocupação com o quadro" do País.

Em entrevista, após reunião com líderes de partidos aliados, Temer disse na quarta-feira que era preciso alguém que "unifique" o País.

Dilma chamou seus auxiliares ao Palácio da Alvorada no início da tarde, pouco depois de reunir-se com Temer e com o ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha, braço direito do vice-presidente nas negociações políticas.

Temer afirmou a Dilma que a sensação é de que seu papel tem sido em vão com o atual cenário. Segundo um interlocutor, "você conversa com os líderes, vira as costas e tudo que foi conversado se desfaz”.

Estiveram presentes os ministros José Eduardo Cardozo (Justiça), Aloizio Mercadante (Casa Civil), Jaques Wagner (Defesa), Edinho Silva (Comunicação Social) e Ricardo Berzoini (Comunicações).

A avaliação foi que, em função das dificuldades econômicas e as investigações da Operação Lava Jato sobre vários políticos, a única saída para melhorar a situação é o envolvimento desse núcleo-duro nas negociações com o Congresso.

Na conversa, Dilma cobrou essa participação ativa dos petistas e disse que Temer está "sobrecarregado" na tarefa de dialogar com os parlamentares. Ela elogiou a atuação de Temer e Padilha, segundo um ministro presente.

Para o governo, a derrota sofrida na madrugada de quinta-feira (6) pelo governo na Câmara dos Deputados, durante a votação do reajuste dos advogados públicos, reflete um cenário de "descontentamento generalizado" dos parlamentares.

A Câmara aprovou, em primeiro turno, uma PEC que vincula o salário de delegados de polícia e de advogados públicos a um porcentual do salário de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A votação, de 415 votos favoráveis e 16 contrários foi vista como dura derrota do governo, que enfrenta um momento de ajuste fiscal.

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