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05/08/2015 16:53 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

'Boicote ao Villa Mix': Ministério Público de São Paulo investiga balada paulista acusada de discriminação

Reprodução Facebook

A página no Facebook "Boicote ao Villa Mix" reúne relatos de pessoas que foram discriminadas na balada da zona oeste paulista. Entre os relatos, estão os de ex-funcionários da casa que contam que não atender aos padrões de beleza é motivo para impedir a entrada de clientes no local. O Ministério Público de São Paulo investiga o caso.

Uma das administradoras da fanpage, Luísa Manzin, conta que recebe centenas de relatos por dia. Muitos deles mostram promoters e hostess da casa dizendo explicitamente que apenas pessoas "bonitas" teriam direito ao VIP. Um diz:

"Muita gente reclama que não entra, mas é porque a gente tem que manter o nível. [...] Infelizmente para manter uma balada top algumas pessoas saem prejudicadas"

As denúncias não param: realmente, muitos nos afirmam que o Villa Mix não é a única balada que seleciona seus clientes...

Posted by Boicote ao Villa Mix on Segunda, 3 de agosto de 2015


Pessoal, aqui vai uma explicação sobre o que nós estamos fazendo.Nosso movimento não é contra o Villa Mix em especí...

Posted by Boicote ao Villa Mix on Quarta, 5 de agosto de 2015


Outras histórias vão além e mostram pessoas que foram constrangidas na porta da casa noturna ao serem impedidas de entrar sem nenhum motivo aparente.

Segundo um dos depoimentos, existe uma fila de pessoas que estão na lista VIP e outra de quem não enviou os nomes a nenhum dos promoters. "Eles fecham a fila das pessoas sem nome na lista cedo, pra poder selecionar quem eles quiserem na outra fila para entrar".

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Com o crescimento da página, alguns supostos ex-funcionários do local quiseram contar o que já presenciaram e confirmam que toda discriminação vem de ordens da casa. "Fui obrigada diversas vezes a barrar negros, pessoas de classes inferiores e as quais eu não julgava "bonitas", conta um dos relatos.

Discriminação é crime

O caso está sendo investigado pela 2ª Promotoria de Justiça de Direitos Humanos da Capital do Ministério Público. No inquérito, a promotora responsável pelo caso, Beatriz Helena Budin Fonseca, ressaltou a segregação praticada pela casa noturna.

"A análise dos documentos juntados demonstra a prática reiterada de discriminação racial, social e estética por parte da representada. Essa escolha de “quem entra e quem não entra” tem a função de segregar e marcar a divisão entre pessoas que, embora morem na mesma cidade, não possuem a mesma classe social, a mesma cor de pele, o mesmo peso, ou a mesma beleza considerada como ideal pela representada."

No documento, Fonseca afirma ainda que a postura da casa "fere os princípios constitucionais da igualdade e da dignidade da pessoa humana". Também consta que "o ato praticado pode configurar um dos crimes tipificados na Lei 7716/89 (crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor)".

Por meio de nota, a assessoria do Villa Mix nega praticar qualquer tipo de discriminação "como absurdamente alegado, tanto que há freqüentadores de todas as raças, estaturas, idades e etnias". A casa noturna afirma que "pelo alto padrão de qualidade oferecido, sua lotação é muito rápida e assim não há como atender a todos os que procuram a sua prestação de serviços". E ressaltou ainda que o local tem o alvará de funcionamento em dia, "a fim de que todos tenham um ambiente confortável".

O Villa Mix informou que ainda não foi notificado pelo Ministério Público para prestar esclarecimentos e que "apresentará a sua defesa e as provas necessárias para por termo à discussão, demonstrando que age e sempre agiu de acordo com os princípios da legalidade e da boa-fé".

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