NOTÍCIAS

Para oposição, prisão de Dirceu mostra governabilidade caótica. Defesa nega acusações

03/08/2015 18:11 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02
Montagem/PT/Estadõo Conteúdo

A prisão do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu nesta segunda-feira (3) na 17ª fase da Operação Lava Jato colocou o Partido dos Trabalhadores no centro do escândalo. O ex-ministro, condenado no mensalão, é acusado de instituir o esquema de corrupção na Petrobras.

Líderes da oposição afirmam que o governo se complicada cada vez mais, o partido refuta a tese de recebimento ilegal de doações e a defesa de Dirceu nega que ele tenha recebido propina e participado do esquema de corrupção.

"É um quadro cada vez mais complicado para o PT e para o governo, um quadro que gera ainda mais dificuldade política para eles", disse o líder do DEM na Câmara, Mendonça Filho (PE).

"O PT, como um todo, está cada vez mais em uma situação difícil. Os seus nomes mais importantes totalmente envolvidos, presos. José Dirceu é um quadro que mostra que o PT, no governo, desmantelou toda a estrutura do Estado brasileiro. Temos um quadro caótico de governança", afirmou o parlamentar.

No PSDB, a avaliação é que a prisão de Dirceu liga Lula diretamente ao esquema. "Com certeza, piora o clima para o governo e o PT, e aproxima de Lula", disse o vice-líder tucano na Câmara, deputado Nilson Leitão (MT).

O presidente nacional do PPS, deputado Roberto Freire (SP), disse em nota que "demonstra que é preciso criar no País um novo governo para que ele possa, junto com a Justiça, corrigir os rumos do Brasil”.

O deputado afirmou que "há o encaminhamento de que o impeachment pode se tornar necessário" e que este é o momento "para fazer a intervenção constitucional, legítima para dar um paradeiro nisso tudo", já que, para o parlamentar, "a ingovernabilidade está instalada no País".

"Essa prisão significa um passo importante para a elucidação de quem é o chefe dessa organização criminosa", disse o líder do PPS na Câmara, deputado Rubens Bueno (PR).

"Ausência de imparcialidade"

Filho do ex-ministro, o deputado Zeca Dirceu (PT-PR) defendeu o pai no Facebook. Na postagem, ele ressalta que nem todos políticos citados na operação estão presos. "O fato de os investigados e citados na Lava Jato do PSDB e outros partidos políticos não estarem presos é uma demonstração clara da ausência de imparcialidade e equilíbrio das ações, situação que precisa ser imediatamente corrigida."

Falei com meu pai por telefone e ele me disse que está sendo preso como investigado da Operação Lava Jato e levado à...

Posted by Deputado Federal Zeca Dirceu on Segunda, 3 de agosto de 2015


Em nota, o PT refutou as acusações de que teria realizado operações financeiras ilegais ou participado de qualquer esquema de corrupção. "Todas as doações feitas ao PT ocorreram estritamente dentro da legalidade, por intermédio de transferências bancárias, e foram posteriormente declaradas à Justiça Eleitoral."

Defesa

À Folha de S.Paulo, o advogado de Dirceu, Roberto Podval negou as acusações feitas contra seu cliente. Segundo ele, o delator não falou a verdade e o ex-ministro não recebeu propina.

De acordo com as investigações, a empresa de Dirceu, JD Assessoria e Consultoria, recebeu propina de contratos da Petrobras com empresas terceirizadas. Segundo a Polícia Federal, a companhia não tinha condições técnicas para prestar os serviços que alegava executar.

Nesta segunda-feira (3), Podval pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que Dirceu não seja transferido para Curitiba. O ex-ministro cumpre prisão domiciliar em Brasília, pela condenação no escândalo do mensalão.

O juiz responsável pela investigação, Sérgio Moro, pediu ao Supremo para que o ex-ministro seja transferido para Curitiba, para onde foram levados os demais presos na Operação.

No pedido, Podval escreve que considera "totalmente desnecessária" a transferência de Dirceu. Podval argumenta que quando o ex-ministro se dispôs a prestar esclarecimentos ao juiz Sério Moro sobre seu suposto envolvimento na Lava Jato, um delegado de polícia disse a ele que não era necessário o deslocamento a Curitiba.

(Com Estadão Conteúdo)

SIGA NOSSAS REDES SOCIAIS: