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Ministério Público Federal aponta José Dirceu como 'agente instituidor' de esquema de corrupção na Petrobras

03/08/2015 10:56 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02
Montagem/Estadão Conteúdo

O ex-ministro José Dirceu é acusado mais uma vez de ser o cabeça de um esquema de corrupção. Depois de ser preso e condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) pelo mensalão, o petista agora é apontado como o "agente instituidor" do petrolão, de acordo o Ministério Público Federal.

Dirceu foi preso na manhã desta segunda-feira (3) na 17ª fase da Operação Lava Jato, da Polícia Federal.

Para o procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima, não há dúvidas de que o ex-ministro foi "agente instituidor" do esquema de corrupção na Petrobras, investigado pela Lava Jato.

"[Dirceu] como beneficiário e recebedor de propina é uma parte apenas da pintura que queremos mostrar. Mas ele e Fernando Moura foram agente responsáveis pela instituição do esquema Petrobras", enfatiza o procurador.

O lobista Fernando Moura é amigo de Dirceu, e a Justiça também decretou a prisão preventiva dele.

A empresa JD Assessoria e Consultoria, de Dirceu, recebeu propina dos contratos da Petrobras com empresas terceirizadas, que prestavam serviços de limpeza e de informática.

A Polícia Federal informa que a companhia não possuía condições técnicas para prestar os serviços que alegava executar.

A prisão ocorreu após as delações do lobista Milton Pascowitch e de Julio Camargo.

De acordo com Santos Lima, os pagamentos à companhia de Dirceu perduraram, mesmo após a prisão dele pelo mensalão:

"[O esquema começou] ainda no tempo em que Dirceu era ministro da Casa Civil [do governo Lula]. Isso vem desde aquela época, passou pelo mensalão, passou pelo processo do mensalão, pela condenação, pelo período que ele ficou presou."

O Ministério Público Federal vê a sistematização da corrupção interna da estatal no governo Lula, com a chegada de Paulo Roberto Costa e Renato Duque às diretorias da Petrobras.

Foram eles que instituíram os esquemas de propina de empreiteiras para partidos políticos.

O procurador Santos Lima ressaltou que foi Dirceu quem colocou Duque e Paulo Roberto em cargos-chave na Petrobras:

"Era Dirceu que definia cargos do governo Lula. Ele que aceitou a indicação de Duque para esta diretoria [de Serviços]. Dessa diretoria, começou todo o trabalho de captação das empreiteiras e propinas."

A transferência de Dirceu de Brasília para Curitiba, onde funciona o QG da Lava Jato, depende de autorização da STF. Isso porque o ex-todo-poderoso de Lula está cumprindo prisão domiciliar pelo mensalão em sua casa na capital federal.