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Ex-ministro José Dirceu é preso na 17ª fase da Operação Lava Jato

03/08/2015 08:12 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02
Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu foi preso na manhã desta segunda-feira (3), em Brasília, na 17ª fase da Operação Lava Jato, que investiga um esquema de corrupção na Petrobras. A prisão preventiva foi solicitada pelo juiz federal Sérgio Moro e é uma das três solicitadas pelo magistrado nesta nova fase da operação.

Segundo informações do jornal O Estado de S. Paulo, Dirceu é investigado por possível recebimento de propinas disfarçadas na forma de consultorias, através da sua empresa JD Assessoria e Consultoria, hoje desativada. A defesa do ex-ministro do governo Lula já esperava o pedido de prisão, tanto que buscou um habeas corpus preventivos nas últimas semanas, sem sucesso.

A JD integraria um grupo de 31 empresas que teriam promovido “operações de lavagem de dinheiro” em contratos das obras da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco – obra iniciada em 2007 ao custo de R$ 4 bilhões, mas que já consumiu mais de R$ 23 bilhões da estatal petrolífera.

A força-tarefa da Lava Jato aponta que a JD Assessoria e Consultoria cumpria a mesma função das empresas de fachada do doleiro Alberto Youssef, alvo central da investigação sobre desvios, fraudes e corrupção na Petrobrás. Elas emitiam notas fiscais para as maiores empreiteiras do País por assessorias e outros serviços fictícios. A JD também soltou notas fiscais por serviços que não teriam sido realizados, segundo suspeitam os investigadores.

Um dos maiores montantes repassados à empresa de Dirceu, segundo a Polícia Federal, teria vindo da empreiteira Camargo Corrêa, uma das investigadas na Lava Jato. Além disso, o lobista Milton Pascowitch afirmou, em depoimentos, que o ex-ministro tinha ligações com o esquema de propinas e desvios da Petrobras.

Dirceu passou 354 dias na prisão, até novembro do ano passado, quando ganhou direito de cumprir prisão domiciliar – ainda por conta da condenação de sete anos e 11 meses pelo esquema do mensalão. Novamente preso, o ex-ministro deve ser transferido para Curitiba ainda nesta segunda-feira.

A reportagem do Brasil Post procurou o advogado de Dirceu, Roberto Podval, mas ele não foi localizado.

Operação Pixuleco

Além da prisão de Dirceu, a 17ª fase da Lava Jato – intitulada Pixuleco, em alusão ao termo usado pelo ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto para falar sobre o dinheiro cobrado de empreiteiras do cartel que atuava na Petrobras – ainda cumpre outros 39 mandatos judiciais, sendo mais dois de prisão preventiva, cinco de prisão temporária, 26 de busca e apreensão, e seus de condução coercitiva (quando a pessoa é obrigada a prestar depoimento).

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