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Advogado do lobista Júlio Camargo deve pedir investigação de deputados aliados de Eduardo Cunha, diz jornal

03/08/2015 12:48 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02
André Dusek/Estadão Cunha

O advogado Antônio Figueiredo Basto, que defende o lobista Julio Camargo na Operação Lava Jato, deve entrar nesta semana com um pedido junto à Procuradoria-Geral da República (PGR) para que pelo menos dois deputados federais, ambos aliados do presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), sejam investigados.

De acordo com informações da coluna Painel, do jornal Folha de S. Paulo, Basto deve pedir que o procurador-geral Rodrigo Janot instaure procedimentos contra Celso Pansera (PMDB-RJ) e Hugo Motta (PMDB-PB), em razão do requerimento feito pela CPI da Petrobras para que a ex-advogada de Júlio Camargo, Beatriz Catta Preta, compareça à comissão.

“Essa investigação (da CPI), pra mim, não tem crédito nenhum. É um gasto de dinheiro público com intenções claras”, disse Basto ao jornal.

Na semana passada, em entrevista ao Jornal Nacional, da Rede Globo, Beatriz Catta Preta informou que deixou a advocacia depois de ter sofrido ‘intimidações’, às quais não deu mais detalhes. A ex-defensora de Camargo disse que as pressões aumentaram após o seu então cliente, em depoimento à Justiça Federal, citar o pagamento de US$ 5 milhões em propina a Eduardo Cunha.

A ‘sugestão’ da advogada de que o presidente da Câmara teria envolvimento com as pressões recebidas por ela fez Cunha reagir, primeiro afirmando que acionará o departamento jurídico da Câmara para questionar Beatriz Catta Preta na Justiça...

#AVerdadeDosFatos por Eduardo CunhaBoa tardeCom relação à entrevista da advogada citando supostas ameaças por parte...

Posted by Eduardo Cunha on Sábado, 1 de agosto de 2015


... enquanto a CPI da Petrobras, dirigida por Hugo Mota – um aliado de Cunha – divulgou que tudo o que a ex-advogada de Camargo vem fazendo não passa de uma ‘vitimização’, a fim de não ter de dar explicações sobre a origem de recursos referentes aos seus honorários.

O presidente do Superior Tribunal Federal (STF), ministro Ricardo Lewandowski, já concedeu decisão favorável à advogada, que não precisa prestar declarações à CPI da Petrobras – posicionamento que agradou também a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Já Pansera foi citado recentemente pelo doleiro Alberto Youssef, réu na Lava Jato, que apontou o parlamentar, outro aliado de Cunha, como sendo um ‘pau mandado’ do presidente da Câmara, sendo inclusive o responsável por ‘ameaças’ ao doleiro e aos seus familiares. Pansera negou as alegações de Youssef.

Site pró-governo questiona razão para Cunha não ter sido preso

A página Muda Mais, criada para fazer campanha a favor do PT e da presidente Dilma Rousseff, postou nesta segunda-feira uma chamada em que questiona não só a detenção do ex-ministro José Dirceu – feita em nova fase da Operação Lava Jato –, mas os motivos que não fizeram com que Eduardo Cunha não tenha tido a sua prisão decretada, “mesmo com provas reais”.

A prisão do ex-ministro José Dirceu na manhã de hoje, em Brasília (DF), pela operação Lava-Jato, deixa cada vez mais...

Posted by Muda Mais on Segunda, 3 de agosto de 2015


Vale lembrar que o presidente da Câmara possui foro privilegiado, por ser deputado federal, e desta forma só pode ser investigado pelo STF. Assim sendo, o juiz federal Sérgio Moro não possui instância para pedir a prisão de Cunha, o que só poderia ser feito na esfera do Supremo.

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