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Luz vermelha no atletismo brasileiro: chance de fracasso nas Olimpíadas é real

02/08/2015 11:32 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02
THIAGO BERNARDES/FRAME/ESTADÃO CONTEÚDO

O péssimo resultado no Pan de Toronto, o pior desde Cali-1971, acendeu a luz vermelha do atletismo brasileiro. São grandes as chances de o País, que ganhou apenas um ouro no Canadá, não conseguir uma única medalha nos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016. Seria um vexame histórico para o Brasil. Em mais de 100 anos, somente em duas edições o país-sede não subiu ao pódio no atletismo: em 1920, em Antuérpia (Bélgica), e em 1988, em Seul (Coreia do Sul).

O desempenho abaixo do esperado do time brasileiro em Toronto se deve, principalmente, ao nível das provas. Canadá e Estados Unidos levaram ao Pan alguns dos seus melhores atletas, o que acabou dificultando a vida dos brasileiros. Mas não é só isso. O País perdeu terreno também para outras equipes do continente. O Brasil, que historicamente costumava terminar o Pan na terceira posição, depois de Cuba e EUA, foi agora apenas o oitavo colocado na classificação geral, atrás de países como Colômbia e México.

Se no cenário regional a situação do Brasil é complicada, a nível mundial o quadro é crítico. O País fracassou nas últimas duas competições de peso. Tanto nos Jogos de Londres, em 2012, como no Mundial de Moscou, em 2013, os brasileiros não conseguiram nem sequer uma medalha. O último resultado expressivo foi o ouro no salto com vara conquistado por Fabiana Murer, em 2011, no Mundial de Daegu, na Coreia do Sul.

Fabiana, inclusive, continua sendo a principal esperança de medalha para os Jogos do Rio. A equipe brasileira que disputará a Olimpíada deverá ser muito parecida com a que foi para Londres. Nesse período, o Brasil revelou pouquíssimos atletas. Uma das raras exceções é Thiago Braz, de 22 anos, dono da quarta melhor marca do ano no salto com vara (5,92 metros), apesar do fracasso em Toronto, quando errou todas as tentativas.<

A crise no atletismo colocou o COB (Comitê Olímpico do Brasil) em estado de alerta e a entidade passará a monitorar de perto o trabalho da CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo) até os Jogos de 2016. O esporte é considerado vital para o País alcançar a meta estipulada pela entidade de 27 medalhas para ficar no Top 10 do ranking geral. Dos 108 pódios do Brasil na história da Olimpíada, 14 foram com o atletismo (quatro ouros, três pratas e sete bronzes). A modalidade só fica atrás de vôlei, vela e judô.

A partir do próximo dia 22, o Mundial será disputado em Pequim. A competição vai reunir os melhores atletas do planeta e os resultados da equipe brasileira servirão como parâmetro para 2016.

Hoje, as chances de medalha do Brasil no Rio estão no salto com vara, no revezamento 4x100 metros e na maratona. Mesmo assim, o País não pode ser considerado favorito em nenhuma das provas. "Precisamos contar com a sorte porque Jamaica e Estados Unidos são favoritos no 4x100 metros e na maratona a imprevisibilidade das condições climáticas deve deixar a disputa em aberto e, por isso, nos dá alguma possibilidade", avaliou Adauto Domingues, técnico da seleção brasileira.

Domingues reconhece que é impossível mudar esse cenário a curto prazo. "Assim como todo mundo sabia para qual lado o Garrincha ia driblar e ninguém conseguia marcá-lo, sabemos que os países do Caribe são melhores do que a gente nas provas de velocidade. Nos 10 mil metros também sabemos que vamos perder para Quênia e Etiópia. Essa é a realidade, não adianta querer enganar".

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