MULHERES

Onde vão parar as craques do futebol feminino brasileiro?

31/07/2015 14:27 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02
Guilherme Santana/VICE


Quando eu tinha nove anos, a professora da terceira série perguntou na sala de aula o que gostaríamos de ser quando crescêssemos. Devo ter respondido que seria algo que não sou hoje, mas um dos meninos da turma, o Felipe, respondeu com muita convicção que seria jogador de futebol. Outros meninos também deram a mesma resposta, mas o Felipe estava tão certo daquilo que até andava com uma bola de futebol embaixo do braço pela escola e tirava onda fazendo embaixadinha.

O tempo passou e não sei o que o Felipe é hoje, mas o fato é que nenhuma menina cogitou dar a mesma resposta que ele porque, afinal, todo mundo sabe que futebol não é coisa de mulher. Apenas duas garotas da minha sala realmente gostavam de jogar bola e, olhando aqui meu Facebook, hoje só sei de uma que ainda joga. Ou seja: quanto mais gente conheço, menos sei de mulheres que praticam futebol.

Eu mesma só fui me empolgar de verdade com o esporte em 2014 durante Copa do Mundo no meu país, apesar do inesquecível 7x1, que, claro, tinha que rolar na véspera do meu aniversário. Esse, aliás, foi meu primeiro trauma futebolístico e, quando li as muitas notícias sobre corrupção na FIFA e uns lances bem estranhos na CBF este ano, questionei bastante por que a gente continua a torcer pela seleção. Mas se existe algo em que eu acredito nessa vida é que o mundo dá voltas.

Na última quarta-feira (16), a seleção feminina realizou o desejo de David Luiz de levar alegria para o seu povo e marcou um belo 7x1 contra o Equador na segunda rodada da fase de grupos do Pan-Americano. Foram nada menos do que cinco gols da Cristiane. Sabe aquela história do copo meio cheio ou meio vazio? Você pode achar que tomou mais um gol da Alemanha enquanto lia essa matéria, mas prefiro ver como mais um gol da Cristiane.

Sei que sou minoria nessa. É bem provável que você não saiba das últimas vitórias no Pan nem da existência de Cristiane ou que o Brasil foi eliminado há três semanas da Copa do Mundo de futebol feminino. (Aliás, você sabia que teve uma Copa do Mundo de futebol feminino?) Assim como era na minha classe anos atrás, o esporte mais popular do nosso país parece não existir para as mulheres. Não vemos por aí notícias de artilheiras e nunca vi alguém comentando de um estádio lotado para ver um joguinho feminino.

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