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Lobista que acusou Cunha na Lava Jato fez repasse à Assembleia de Deus, igreja frequentada pelo presidente da Câmara

31/07/2015 09:50 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02
Montagem/Estadão Conteúdo e YouTube

A empresa Treviso, que pertence ao lobista Julio Camargo, delator na Operação Lava Jato, repassou R$ 125 mil à igreja evangélica Assembleia de Deus Ministério Madureira, em Campinas (SP), no interior paulista. A informação foi publicada nesta sexta-feira (31) no blog do jornalista Fausto Macedo, do jornal O Estado de S. Paulo.

O responsável pela igreja em Campinas é o pastor Samuel Ferreira, irmão do presidente da Assembleia de Deus Madureira no Rio, pastor Abner Ferreira. Em fevereiro deste ano, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), celebrou a sua vitória na eleição para presidir a Casa ao lado de Abner e lá anunciou o seu ingresso na igreja.

Segundo a reportagem do Estadão, um laudo da Polícia Federal mostra que o montante de R$ 125 mil foi repassado à igreja entre 2008 e 2014, sem mais detalhes (como se foi uma única parcela ou várias, por exemplo). Nem a defesa da Assembleia de Deus Ministério Madureira, nem a defesa de Camargo ou de Cunha falaram sobre o assunto.

O lobista declarou recentemente, em depoimento à Justiça em Curitiba (PR), que foi pressionado a pagar US$ 5 milhões em propina a Cunha. Após mudar o seu posicionamento em relação a depoimentos anteriores, Camargo perdeu a advogada de defesa, Beatriz Catta Preta, que disse ao Jornal Nacional, da Rede Globo, “ter visto aumentar a pressão” quando o nome do presidente da Câmara passou a constar na delação premiada do então cliente.

“Todos os depoimentos prestados sempre vieram respaldados com informações, dados, documentos, provas definitivas”, afirmou a advogada, que ressaltou que Cunha não havia sido citado antes por Camargo “por medo”. A atual defesa do lobista reafirmou temer o peemedebista e outros investigados agem com a ‘lógica de gangue’.

“Eventuais contradições de Julio Camargo, advém de seu justificado temor em relação ao deputado federal Eduardo Cunha, que hoje ocupa a presidência do Poder Legislativo Federal. A reação dos investigados contra o colaborador ocorre em várias instâncias informais, que vão desde a maledicência à calúnia descarada e formais com o uso da Comissão Parlamentar de Inquérito da Petrobras para desencorajar e desacreditar a colaboração prestada por Camargo. Está em vigor a ‘moral da gangue’, que acredita por triunfar pela vingança, intimidação e corrupção”.

Em mais de uma oportunidade, Cunha e a sua defesa negaram qualquer envolvimento com Camargo ou qualquer irregularidade. Sobre Beatriz Catta Preta, o presidente da Câmara usou as suas redes sociais para se defender.

#AVerdadeDosFatos por Eduardo Boa noite a todos,Com relação à entrevista da advogada ao Jornal Nacional, quem falara...

Posted by Eduardo Cunha on Quinta, 30 de julho de 2015


Os evangélicos são um dos grupos cujo apoio dá sustentação a Cunha dentro e fora do Congresso Nacional. Como a foto abaixo ajuda a dar uma boa ideia.

Em reunião na Vice Presidência com os líderes, Silas Malafaia, Missionário R.R. Soares, Pastor Samuel Ferreira, Pastor...

Posted by Jorge Tadeu Mudalen on Segunda, 27 de abril de 2015


Baiano quer anular delação de Camargo

Os advogados de Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, tentam anular no Supremo Tribunal Federal (STF) o acordo de delação premiada de Julio Camargo no âmbito da Operação Lava Jato. Na petição encaminhada à Corte, os advogados alegam que o lobista usou diferentes versões nos depoimentos - omitindo informações no curso da delação premiada - e que o acordo não poderia ter sido homologado no Paraná, em razão da menção a Cunha.

Eles apontam que, em um primeiro momento, Camargo disse que o contrato de compra de navios-sonda pela Petrobras não tinha relação com Cunha. Posteriormente, em depoimento neste mês, Camargo declarou que o parlamentar exigiu R$ 5 milhões de propina em dois contratos da estatal. Ao pedir ao STF a rescisão do acordo de delação, os advogados de Fernando Baiano dizem que Camargo "firmou compromisso de dizer a verdade e não mentir ou sonegar informações" quando concordou em colaborar, o que não aconteceu.

"O 'colaborador' Julio Camargo, se pretendia fazer jus aos benefícios propostos pelo Ministério Público Federal, deveria ter cumprido à risca suas obrigações, jamais omitir fatos, mentir aqui, ali ou acolá, alterando conteúdo de seus depoimentos e prejudicando o exercício da ampla defesa e do contraditório por aqueles que foram delatados. Onde está a verdade? Aqui ou ali? Nem lá nem cá? A estória contada por Julio Camargo é inconfiável".

Fernando Baiano é réu, junto com Camargo, com o doleiro Alberto Youssef e com o ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró na ação penal que corre em Curitiba na qual Cunha foi citado. "Ora, se o delator deve dizer a verdade, inclusive com menção a agentes públicos, sem malícia ou reservas mentais, o que influenciará, inclusive, na fixação da competência para homologação do acordo de colaboração premiada, tem-se que Julio Camargo, sem qualquer dúvida, deu causa à rescisão do ajuste", escrevem os advogados de Baiano.

Como Camargo não mencionou qualquer parlamentar no acordo de delação premiada inicialmente firmado, o caso foi homologado pelo juízo de primeiro grau. Caso o deputado já tivesse sido citado Cunha, o termo deveria ser chancelado pelo STF, Tribunal competente por investigações penais sobre autoridades com foro privilegiado como deputados e senadores. "Embora o acordo tenha sido homologado pelo Juízo da 13ª Vara Federal de Curitiba, os novos depoimentos de Julio Camargo (...) revelam que o Juízo competente para decidir a rescisão do contrato é o Supremo Tribunal Federal", escrevem ao STF os defensores de Baiano.

A eventual rescisão do acordo de delação premiada pode gerar efeitos para as duas partes: tanto para o delator como para os investigadores. Caso a Justiça entenda por anular a eficácia das declarações do lobista, os depoimentos não seriam considerados indícios de provas. Já o delator pode perder os benefícios conquistados com o acordo de delação.

Além do pedido para anular a delação, o STF já recebeu três pedidos para suspender a ação penal que tramita no Paraná na qual Cunha foi citado e remeter o caso para Brasília. Além do próprio peemedebista, as defesas de Baiano e de Cerveró também protocolaram nos últimos dias reclamação contra o juiz federal Sérgio Moro, que conduz a Lava Jato no Paraná.

Ao analisar a reclamação proposta por Cunha - a primeira a chegar ao Tribunal desde que o peemedebista foi citado por Julio Camargo -, o presidente do STF, ministro Ricardo Lewandowski, determinou que Moro envie informações à Corte sobre o processo antes de julgar o caso.

(Com Estadão Conteúdo)

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