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Dólar sobe com percepção ruim sobre economia e bate R$ 3,41, maior patamar desde 2003

31/07/2015 17:43 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02
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O dólar voltou a registrar ganhos ante o real nesta sexta-feira, 31, em meio à percepção ruim em relação à economia brasileira. O resultado do setor público consolidado de junho - o pior para o mês desde o início da série histórica, em 2001 - reforçou a busca de dólares no Brasil, numa sessão também influenciada pela disputa da ptax de fim de mês.

O dólar à vista de balcão fechou em alta de 1,09%, aos R$ 3,4170, no maior patamar desde 20 de março de 2003, quando encerrou aos R$ 3,480.

Neste mês de julho, marcado pelas disputas políticas entre o Planalto e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, pelas mudanças nas metas fiscais de 2015, 2016 e 2017 e pelo rebaixamento da perspectiva de crédito do País pela Standard & Poor's, o dólar acumulou ganhos de 9,91% ante o real. No ano, já dispara 28,70%.

Na manhã de hoje, a moeda até chegou a oscilar no território negativo, na mínima de R$ 3,3360 (-1,30%). Investidores que estavam vendidos em derivativos cambiais pressionavam pela queda da moeda, tendo por objetivo a determinação da ptax de fim de mês. Só que os números do setor público, divulgados pelo Banco Central, acabaram conduzindo ganhos firmes da moeda americana ante o real.

Isso porque o setor público teve déficit primário de US$ 9,323 bilhões em junho e superávit de apenas R$ 16,224 bilhões no semestre (0,57% do PIB). Na avaliação de parte do mercado, o esforço fiscal é muito pequeno para que o País consiga escapar de uma perda do grau de investimento pelas agências de rating.

À tarde, passada a disputa pela ptax, o mal-estar com o Brasil se intensificou, com muitos investidores buscando a proteção do dólar antes da próxima semana, quando o Congresso sai do recesso, e após alguns comentários do diretor do Federal Reserve (Fed) James Bullard, defendendo a alta de juros nos EUA já em setembro.

Segundo Bullard, o dado do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA apoia a ideia de elevar os juros "logo". "Estamos em boa forma" para elevar os juros na reunião de setembro, disse ele que, no entanto, não tem direito a voto no comitê de política monetária do Fed este ano.

A ptax fechou no início da tarde cotada a R$ 3,3940, em alta acumulada de 8,72% no mês, o que indica ampla vantagem para os investidores comprados em derivativos cambiais.

No mercado futuro, que fecha apenas às 18 horas, o dólar para setembro - que passou a ser o mais líquido hoje - subia 1,34% há pouco, a R$ 3,4530.

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