NOTÍCIAS

Mesmo em época de seca, brasileiros preferem passar menos tempo no banho a deixar de lavar o próprio carro

30/07/2015 13:17 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02
Reprodução

A falta de chuvas já impactou o cotidiano de famílias de todas as regiões do país. Uma pesquisa feita pelo Instituto Ipsos, encomendada pela Consul, constatou quais foram os hábitos implantados para lidar com a seca.

Chama a atenção que mais brasileiros preferiram reduzir a duração do banho (56,6%) a abrir mão de lavar o carro (13,1%).

No comparativo entre regiões, percebe-se que a tendência é mais forte no Sudeste, onde 68,7% encurtaram o banho e apenas 15,7% deixaram de lavar o carro, e no Norte, que registra 39,3% contra 6,7%.

No Nordeste são 51,3% que tomam banho mais curto, contra 7,8% que lavam menos o carro; no Sul, 35,9% contra 12%, e no Centro Oeste, 51,2% contra 20,6%.

Os dados evidenciam uma questão cultural muito forte entre os brasileiros, acostumados a lavar o próprio carro com mangueira e sem maiores constrangimentos com o gasto de água. A pesquisa infelizmente não traz nenhuma questão sobre lavar a calçada, hábito que mesmo durante a estiagem continua comum no país.

Na Califórnia, que vive uma das maiores secas de sua história, os moradores aprenderam na marra a deixar que consumir água para outros fins que não o humano. Jardins monumentais foram substituídos por espécies nativas mais adaptadas ao tempo seco, graças a um programa de incentivo do governo, e há um rodízio que só permite irrigação duas vezes por semana em horários determinados. Quem descumprir é multado. Campanhas de conscientização passaram a apresentar os “gastões” como bobos, levando a população a pensar duas vezes antes de abrir a torneira.

É uma pena que no Brasil não tenha se investido na conscientização a ponto de as pessoas continuarem achando normal lavar o carro e a calçada com água. E, o que é mais estranho, fazem isso mesmo quando já cortaram a duração do próprio banho. Transformar esses hábitos, ou seja, usar outros métodos de limpeza que não a água tratada, é condição para manter a qualidade de vida nas cidades nos períodos mais críticos, sem abrir mão do fornecimento de água para o que é mais fundamental, o consumo humano.

Outras mudanças citadas foram fechar a torneira ao escovar os dentes (45%), reutilizar água da lavadora de roupas (para limpar o chão, por exemplo), (21,2%), usar baldes com água já usada para dar a descarga (15,4%) e colher água do chuveiro enquanto ele esquenta (12,6%).

Outro dado curioso da pesquisa é que as regiões metropolitanas registram maiores índices de falta de água do que capitais ou interior. A falta de água é diária para 13% dos entrevistados das regiões metropolitanas, 10% das capitais e 5% do interior. Da mesma forma, 39% dos moradores de áreas metropolitanas dizem nunca faltar água em casa, número que sobe para 53% nas capitais e 56% no interior.

O intuito do levantamento foi identificar a propensão da população em adotar eletrodomésticos capazes de reduzir o gasto de água, como lavadora de roupas e de louças. Segundo estudo do laboratório Falcão Bauer, a lava-louças usa seis vezes menos água do que a lavagem manual. Mas, na opinião de 51,8% dos entrevistados, não há eletrodoméstico capaz de reduzir o consumo de água em casa.

A pesquisa foi feita entre 20 e 30 de abril com 1.200 entrevistados entre 16 e 60 anos de todas as regiões e classes sociais. Embora a estiagem atinja boa parte do país desde o ano passado, a seca deve agravar-se até setembro, período em que tradicionalmente chove menos.

SIGA NOSSAS REDES SOCIAIS: