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"Datena é o nome mais forte para a Prefeitura de SP", diz Guilherme Mussi, presidente estadual do PP

30/07/2015 11:04 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02
Divulgação

Se há três anos o apresentador e jornalista José Luiz Datena considerava que “seria um péssimo político”, no presente o âncora do Brasil Urgente, da Rede Bandeirantes, parece pensar de outra maneira. A notícia do início da noite desta terça-feira (28) que cravava que Datena concorreria às eleições municipais de 2016, em São Paulo, surpreendeu. Bem, nem todo mundo.

“Ele (Datena) está muito desconfortável com os nomes que foram colocados até agora na disputa (pela Prefeitura de SP). Ele está um pouco de saco cheio de tudo”, revelou ao Brasil Post o deputado federal Guilherme Mussi (PP-SP), presidente estadual do Partido Progressista. “Não diria que foi um nome que ‘pescamos’, mas sim que pulou para fora d’água”, emendou, explicando como o apresentador optou pela sigla – após ser procurado por PSB e PSDB.

“O (deputado estadual) Delegado Olim mediou as nossas conversas. Ele é amigo do Datena e é meu amigo pessoal. Fui eu quem o trouxe para as eleições estaduais do ano passado. Com outros partidos, o Datena não se sentiu à vontade, não viu sinceridade. Conosco isso ocorreu. Ele sabe que no nosso partido ele terá mais autonomia, pode ser livre, podendo expressar as suas opiniões”, contou Mussi.

Aos 32 anos, o deputado federal nascido em Curitiba (PR) recebeu 156.297 votos nas eleições do ano passado. Foi um acréscimo considerável aos 98.702 votos recebidos quatro anos antes. A ascensão de Mussi permitiu a ele um feito ainda maior – e interno no PP: destronar o ex-prefeito de SP, Paulo Maluf, do comando da Executiva estadual, em dezembro de 2014. Do colega de partido – que declarou apoiar a reeleição de Fernando Haddad (PT) –, Mussi parece querer distância.

“O Maluf hoje não tem comando nenhum do PP. Ele pode apoiar quem ele quiser como figura física, não como figura institucional. Teremos candidatura própria e, se ele quiser apoiar o Haddad, problema deles. Tem que ver se o Haddad vai agradecer ou rejeitar esse apoio”, alfinetou, para completar na sequência: “Certa vez o Maluf falou que, entre uma nuvem de gafanhotos e um administrador petista, era melhor ficar com os gafanhotos. Agora ele está aí, defendendo o Haddad, o Lula. Considero isso uma incoerência”.

‘Chapa pura’

A definição por uma candidatura própria, com prefeito e vice – o que no meio político conhece-se como ‘chapa pura’ –, não impede que alianças sejam feitas, de acordo com Mussi, para alçar candidaturas de outros partidos a vereadores, por exemplo. Mas a presença do Delegado Olim como seu vice foi um ponto a favor da decisão de Datena em ser candidato a prefeito. A decisão, aliás, demanda uma filiação ao PP, o que deve acontecer em breve.

“É uma questão de ‘timing’ dele (Datena). Ele sabe do tempo limite para isso (até um ano antes da eleição, ou seja, outubro deste ano), então não existe nenhuma pressão. A filiação é uma questão legal, ele está transferindo o título eleitoral de Ribeirão Preto (SP) para São Paulo. Tudo será feito para que ele fique à vontade”, comentou o presidente estadual do PP.

E o projeto? Propostas? Principais metas? Por enquanto, Mussi diz que isso está sendo organizado e que no momento oportuno será apresentado à imprensa e para a população paulistana. Mas o parlamentar já adiantou que o ‘Datena político’ não será diferente do apresentador da Rede Bandeirantes – o que já permite adiantar alguns posicionamentos encampados por Datena em frente às câmeras.

“Não existirá um ‘personagem Datena’. Não vamos tentar esculpi-lo ou criar um ‘Datena light’, tirando a identidade do próprio Datena. Ele é uma pessoa conhecida, carismática e se sentiu à vontade com a nossa proposta (...). Chegou um ponto em que nem ele se sentiu pronto a se omitir, já que é um homem de opinião, de lado, muito combativo, o que lhe rende sempre declarações polêmicas”, afirmou.

Antes das decisões oficiais e registros de candidaturas, muita coisa pode mudar. Porém, Mussi acredita que isso vale apenas para os outros partidos que pretendem lançar candidatos à Prefeitura de São Paulo. Aliás, o parlamentar não teme em qualquer entrave para o PP referendar, em convenção municipal, o nome de Datena e a candidatura própria – que só não sairá “se ele mudar de ideia”. A empolgação leva até a uma análise das chances do apresentador.

“O Datena é hoje o nome mais forte destes todos que estão comentando por aí. Tem gente que já passou pela prefeitura, como a Marta (Suplicy, senador sem partido e ex-PT), o PSDB não tem ninguém hoje que chegue a dois dígitos, o João Dória eu não sei (se lançou pré-candidato do PSDB nesta quarta-feira), e o (deputado federal pelo PRB Celso) Russomanno é forte pela TV. É um comunicador também, já foi candidato a prefeito, então pode render uma briga de igual para igual conosco. Os maiores anseios estão justamente com as pessoas que assistem TV diariamente, e o Russomanno era até agora o único com essa prerrogativa, agora não é mais. Creio que tudo esteja meio embaralhado por enquanto”.

E, antes que perguntem, o presidente da Executiva paulista do PP adiantou que não teme que a imagem do partido, bastante arranhada pelo alto número de parlamentares envolvidos com a Operação Lava Jato, possa causar problemas a Datena. “Não tem nada a ver uma coisa com a outra. Não há um partido sem citados na operação, então não faz muito sentido entrar nessa linha. Além disso, há investigados, que ainda não foram denunciados, julgados ou condenados. Não vejo isso como um empecilho”.

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