NOTÍCIAS

Depois de Odebrecht, presidente da Andrade Gutierrez se torna réu na Lava Jato

29/07/2015 18:48 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02
Montagem/Estadão Conteúdo

A Justiça Federal abriu ação penal nesta quarta-feira (29) contra o empresário Otávio Marques de Azevedo, presidente da Andrade Gutierrez e mais 12 investigados na Operação Lava Jato. A Procuradoria da República atribui ao empreiteiro e aos outros acusados os crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A decisão é do juiz federal Sérgio Moro.

É a primeira vez que Otávio de Azevedo vira réu em ação penal da Lava Jato. Nesta terça-feira (28), outro empreiteiro, Marcelo Bahia Odebrecht, também tornou-se réu pelos mesmo crimes atribuídos ao presidente da Andrade Gutierrez.

Neste processo contra Otávio de Azevedo, também são réus o doleiro Alberto Youssef, os executivos Antônio Pedro Campelo de Souza, Armando Furlan Júnior, Elton Negrão de Azevedo Júnior, Fernando Antônio Falcão Soares, Flávio Gomes Machado Filho, Lucélio Roberto Von Lehsten Goes, Mario Frederico Mendonça Goes, Otávio Marques de Azevedo, Paulo Roberto Costa, Paulo Roberto Dalmazzo, Pedro José Barusco Filho; e Renato de Souza Duque.

Denúncia

Na última sexta-feira, o Ministério Público denunciou 22 pessoas, incluindo o presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Azevedo, além de Marcelo Odebrecht. Na acusação, os procuradores alegaram que os envolvidos faziam parte de um cartel que combinava o resultado de licitações e pagava propina para terem contratos firmados com a Petrobras.

De acordo com o procurador Delton Dallagnol, o esquema de desvio de verba, lavagem de dinheiro e pagamento da propina ocorria de forma complexa e muitosofisticada. A maior parte se dava por meio de offshores, que, na explicação dele, “nada mais são de laranjas e testas de ferro”, controladas pelas empreiteiras.

Só no caso da Odebrecht, essas empresas no exterior chegaram a movimentar pagamentos na ordem de US$ 17,6 milhões para funcionários do alto escalão da Petrobras, segundo o MPF.

As provas foram obtidas pelos depoimentos de delação premiada e por documentos colhidos na operação. As empresas têm negado participação no esquema.

No documento encaminhado à Justiça Federal, o MPF pede ressarcimento de mais de R$ 7 bilhões, sendo R$ 6,7 bilhões da Odebrecht e R$ 486 milhões da Andrade Gutierrez.